Primeiros testes com a vacina chinesa no Brasil foram realizados em São Paulo. Foto: Governo de SP/Reprodução Agência Brasil

O Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), iniciou no sábado (8/8) os testes da nova vacina contra o coronavírus. A instituição é a única do estado a aplicar as doses da vacina em voluntários para terceira fase de ensaios clínicos do imunizante, que é desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science. Esta é a fase final de pesquisa clínica que envolverá cerca de 9 mil profissionais da saúde no Brasil, sendo que 852 receberão as doses na capital gaúcha. No total, 12 centros de pesquisa foram selecionados no país. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP foi o primeiro a aplicar a CoronaVac, no dia 21 de julho.

O imunizante desenvolvido pela Sinovac Life Science é apontado como um dos mais promissores do mundo porque utiliza tecnologia já conhecida e amplamente aplicada em outras vacinas. O Instituto Butantan avalia que sua incorporação ao sistema de saúde deva ocorrer mais facilmente. O laboratório asiático já realizou testes em cerca de mil voluntários na China, nas fases 1 e 2. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra o coronavírus. Caso a vacina seja aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala e fornecimento gratuito pelo SUS. Os passos seguintes serão o registro do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e distribuição em todo o Brasil.

Vacina da Oxford

O presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou, na quinta-feira passada (6/8), Medida Provisória (MP) que viabiliza recursos para produção e aquisição da vacina contra a Covid-19 produzida pelo laboratório AstraZeneca e Universidade de Oxford. A proposta prevê um crédito orçamentário extraordinário de R$ 1,9 bilhão para que a Fiocruz possa dar início à produção do imunobiológico. De acordo com o Ministério da Saúde, esta é a vacina que está em estágio mais avançado, mas outras pesquisas estão sendo acompanhadas. A MP garante a produção e a entrega de 100 milhões de doses.

No dia 31 de julho, a Fiocruz e o laboratório AstraZeneca assinaram um documento que dará base para o acordo sobre a transferência de tecnologia e produção da vacina contra a Covid-19 no país, caso seja comprovada a sua eficácia e segurança. O Ministério da Saúde prevê um repasse de R$ 522,1 milhões na estrutura de Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz produtora de imunobiológicos. O objetivo é ampliar a capacidade nacional de produção de vacinas e tecnologia disponível para a proteção da população. Outros R$ 1,3 bilhão são despesas referentes a pagamentos previstos no contrato de Encomenda Tecnológica. Os valores contemplam a finalização da vacina. O acordo prevê o início da produção da vacina no Brasil a partir de dezembro deste ano e garante total domínio tecnológico para que Bio-Manguinhos tenha condições de produzir a vacina de forma independente.

Acompanhamento de pesquisas

Atualmente, o Brasil acompanha o desenvolvimento de 231 vacinas no mundo, sendo que 38 já estão em fase clínica. São 58 vacinas dos EUA (6 em fase clínica), 32 da China (11 em fase clínica), 9 do Reino Unido (2 em fase clínica), 16 do Canadá (1 em fase clínica) e 8 da Rússia (1 em fase clínica). Além disso, outras 7 estão sendo desenvolvidas no Japão e 6 no Brasil, que ainda não estão em fase clínica.

*Com informações da assessoria de imprensa do Butantan e Ministério da Saúde.