Pouco mais de um ano depois da passagem de Paul McCartney por Porto Alegre, a capital gaúcha recebeu outro beatle. Mas Ringo Starr trouxe ao Gigantinho, na noite desta quinta-feira (10/11), um show em quase tudo oposto ao visto por mais de 50 mil pessoas no Beira-Rio em 07/11/10.

Paul trouxe um equipamento grandioso. Ringo manteve o mesmo cenário – um mural de flores e uma estrela gigante – durante a 1h40min que tocou no Gigantinho. Paul veio com quatro músicos em uma formação básica e roqueira. Ringo tinha duas baterias, dois teclados, dois saxofones, dois guitarristas e uma sonoridade oitentista em quase todas as canções.

Mas Ringo, nesta noite em Porto Alegre, foi tão autêntico quanto poderia ser. Entrou pulando no palco, brincou com a plateia em várias músicas, foi absolutamente coadjuvante de uma banda repleta de músicos conhecidos por um ou dois hits. Nada surpreendente. Nos Beatles, Ringo fazia a liga entre gênios, brincava com o fato de ser considerado inferior musicalmente, mostrava como um coadjuvante poderia ser importante.

Do início, com It Don't Come Easy, até o clímax que veio na metade do show, com a beatle Yellow Submarine, Ringo não parecia nem um pouco preocupado em aparecer. Suas piadas faziam graça do fato de ser uma estrela – tema da penúltima música, Act Naturally -, como quando Ringo pedia à plateia para repetir seu nome e depois dizia "vocês são ótimos, mas eu sou o maior".

No palco, Ringo parecia estar também bastante satisfeito. Afagou a plateia elogiando a energia de uma pista que dançara mesmo em rocks semidesconhecidos como What I Like About You, cantada por Wally Palmar. Promoveu um show repleto de músicas compostas ou gravadas por integrantes de sua banda. Repetindo sem parar o gesto de paz e amor, anunciou a última canção com a simplicidade de quem está há 50 anos acostumado com a idolatria beatle: “Tenho certeza que vocês todos sabem essa música de cor, então vamos começá-la de uma vez”.

E atacou com With a Little Help From My Friends, do disco Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Gigantinho de pé, batendo palmas no ritmo dos polichinelos de um Ringo em boa forma, despediu-se do beatle de 2011 entoando Give Peace a Chance, homenagem de Starr ao parceiro e amigo John Lennon. Um final mais do que natural para um astro que não se incomoda em bancar o coadjuvante.

Fonte: ClicRBS

Créditos Destaque: Mauro Vieira / Agencia RBS