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É bem provável que você conheça alguém que “foge” de ir ao médico com regularidade. Muita gente comenta que precisa consultar para verificar determinado aspecto, mas vai deixando isso para depois, arrumando desculpas para não fazer uma avaliação da saúde. Infelizmente, esse é um comportamento comum para milhares de brasileiros, porém extremamente prejudicial à saúde. Os profissionais da área alertam que o paciente que faz as consultas e exames de rotina tem mais chances de obter sucesso no tratamento no caso de um diagnóstico precoce de doença. É por essa razão que se recomenda a realização, pelo menos anual, do check-up.

Ignorar sintomas, alegando que “não é nada demais, logo passa”, sem consultar um médico para avaliar a situação, não deve ser uma alternativa. É preciso estar sempre atento aos sinais que o corpo nos dá de que algo pode estar errado. E, claro, procurar orientação qualificada de um profissional da Saúde para constatar como está o quadro. O check-up é apontado pelos médicos como uma excelente ferramenta para detectar doenças na fase inicial ou mesmo para ajudar a preveni-las. Fazendo exames rotineiramente, por exemplo, se surgirem alterações, poderão ser tomadas medidas preventivas para evitar ou não agravar determinados quadros clínicos. Os especialistas destacam que não há uma idade certa para começar a fazer as chamadas consultas e exames de rotina, porém não se deve descuidar da saúde em nenhum momento. “Apesar de alguns programas de check-up sugerirem começar entre 35 e 40 anos, é importante lembrar que somos diferentes uns dos outros em vários aspectos, inclusive nas condições de saúde. Defendo que o acompanhamento clínico periódico, iniciado ainda na juventude, vai determinar o melhor momento para procurar um especialista”, ressalta o cardiologista Edson Ubiratã Rodrigues Ferreira.

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Alguns profissionais salientam que o primeiro check-up é feito já na maternidade, quando é realizado o teste do pezinho, através do qual pode-se detectar a existência de algumas doenças. Outros exames podem ser solicitados anos depois, considerando, principalmente, o histórico familiar de enfermidades. É preciso estar atento ao ritmo de crescimento acelerado na adolescência. Nessa faixa etária são aconselhadas avaliações para verificar se não há anemia, disfunções no fígado ou rins, tireoide, hormônios e coração, entre outros. Na fase adulta, a lista inclui testes específicos para homens e mulheres, além dos exames mais comuns, como o de sangue e colesterol.

O dito popular de que “prevenir é o melhor remédio” se enquadra também como argumento para exaltar a importância de ir ao médico com regularidade. A cura, muitas vezes, depende do diagnóstico precoce, o que só acontece se o indivíduo não protelar as consultas e exames necessários. Nesse sentido, os homens precisam ficar ainda mais atentos. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que 70% deles só procuram um médico após influência da mulher ou dos filhos. Esse número acaba refletindo nos altos índices de morte por doenças tardiamente diagnosticadas. Problemas cardiovasculares, por exemplo, que poderiam ser constatados após avaliação médica, estão entre as principais causas de morte prematura da população masculina. No país, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres, por isso, durante campanhas como o Novembro Azul busca-se conscientizar de que cuidar da saúde também deve ser uma preocupação para o público masculino.

Exames mais solicitados nos check-ups

Hemograma: Este é o exame recomendado com mais frequência pelos médicos. Através dele pode-se avaliar a quantidade e a forma de alguns elementos do sangue, como hemácias, leucócitos e plaquetas. Isso possibilita que seja sinalizado o estado do sangue e do sistema imunológico, com a detecção de problemas como as infecções. Esse exame é solicitado desde a infância;

Colesterol e glicemia: Os testes avaliam a concentração de gordura e açúcar na circulação. Níveis altos de colesterol favorecem a obstrução dos vasos sanguíneos. Já as taxas de glicose permitem diagnosticar a propensão à diabetes. Esses exames podem ser solicitados para crianças, mas é na vida adulta que são aconselhados com mais frequência;

Triglicerídeos: Trata-se de um exame de sangue no qual são medidos os níveis de triglicérides, que são gorduras do organismo que funcionam como uma reserva de energia. Taxas altas são associadas ao maior risco de doenças cardíacas. Monitorar esses níveis é imprescindível, assim como apostar em hábitos saudáveis e alimentação balanceada para mantê-los controlados;

Hepatograma: Conjunto de exames de sangue também chamado de provas de função hepática e composto por bilirrubinas, fosfatase alcalina, aminotransferases, albumina e tempo de protrombina. A avaliação ajuda a verificar o funcionamento do fígado e é utilizada para o diagnóstico de lesão hepática;

Tireoide: Exame através do qual é verificado o funcionamento da tireoide. É feita uma análise do TSH, hormônio produzido por uma glândula situada na base do cérebro, a hipófise, que regula a produção dos hormônios da tireoide (T3, atriodotironina; e T4, a tiroxina). Os médicos prescrevem esse tipo de exame, principalmente, para as mulheres, que sofrem mais de distúrbios na glândula;

Teste ergométrico e eletrocardiograma: Por meio de eletrodos no peito é possível apurar o risco de doenças cardiovasculares. No teste ergométrico, o paciente é analisado em movimento, em uma bicicleta ou esteira. Já no eletrocardiograma, o indivíduo fica deitado. Os médicos recomendam os exames, geralmente, após os 20 anos. A partir dos 40 anos, a orientação é que os testes sejam anuais;

Ecocardiograma: O ultrassom do coração também é prescrito, em alguns casos, para analisar a função cardíaca do paciente. A realização do exame costuma ser solicitada com maior regularidade para pessoas acima de 40 anos;

Mamografia: Esse é um exame recomendado, sobretudo, à população feminina que já passou dos 40 anos. Trata-se de uma radiografia das glândulas mamárias, procedimento muito importante para a detecção do câncer de mama. As pacientes com casos de câncer de família, devem começar a fazer a mamografia ainda antes, por volta dos 30 anos;

Papanicolau: O médico recomenda esse exame para identificação de alterações no colo do útero e lesões causas pelo vírus HPV. O procedimento é importante na prevenção ao câncer de colo de útero;

Exame da próstata (toque retal): Importante para o diagnóstico do câncer de próstata, esse exame é prescrito, principalmente, para os homens acima de 45 anos. Aqueles que têm casos da doença na família devem iniciar a realização pelo menos cinco anos antes.

*Essa matéria e mais informações sobre o tema fazem parte da reportagem de Saúde, da Revista Evidência de novembro. Veja a edição!