Luciane e Fabiano são os proprietários da Credencie Consultas Cadastrais. Foto: Arquivo Pessoal

Aos 86 anos, sendo 55 deles dedicados ao ramo empresarial, Albrecht Schott, lamenta as grandes dificuldades sanitárias e econômicas notáveis em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus. Para o proprietário das lojas Viva Modas, o momento é de todos colocarem a saúde em prioridade e procurarem equilíbrio para conduzir os negócios. “Nunca tínhamos enfrentado uma situação como essas. Todos sofreremos prejuízos, mas não conseguimos calcular o tamanho desses prejuízos, pois não sabemos como será daqui para frente.” O empresário revela que mesmo antes da determinação de fechamento do comércio, suas lojas já não estavam com a mesma movimentação, reflexo do apelo para que as pessoas fizessem isolamento social. No período em que manteve as unidades abertas, tratou de seguir as recomendações das autoridades de saúde para prevenção e atendimento ao público. Tem acompanhado os negócios à distância desde a orientação para que os idosos evitem sair de casa. “Agora, todo o cuidado é pouco!”, frisa, acrescentando que agir com precaução tem sido também a estratégia para amenizar os futuros impactos econômicos. “Suspendi as compras para as lojas. É uma necessidade. Temos que procurar não nos endividar numa hora dessas”, comenta.

Na opinião dos proprietários da Credencie Consultas Cadastrais, Luciane Caldas e Fabiano Alves, a economia de Gravataí, assim como do restante do mundo, sentirá ainda mais os reflexos desse cenário atípico nos próximos meses. “A economia terá um pico negativo muito grande de produção e comércio, no qual todos os setores serão atingidos, principalmente os profissionais liberais, que necessitam da execução de seu trabalho para manter a renda. Este será o período em que todos terão que ter flexibilização com relação a pagamentos e cobranças, pois muitos já estão com dificuldades financeiras, e outros terão no decorrer deste período”, explica Luciane. A Credencie atua há uma década com análise de crédito. Pela experiência no setor, os empresários acreditam que a inadimplência será elevada, tanto para pessoas físicas como jurídicas. “A economia levará certo período para se estabilizar novamente. Todos devem cuidar com impulsos referentes às compras pela internet, assim como golpes de hackers”, alerta Luciane. O home office foi alternativa escolhida pela empresa para esse período de enfrentamento à Covid-19. “Nossa equipe é formada por mais de 30 pessoas, nas quais uma grávida. Liberamos que cada colaborador levasse um notebook para a casa, assim como celular corporativo para contato com clientes ou utilização da internet”, relata a diretora.

Fernando e Gizele estão à frente da Viver Bem Seguros. Foto: Arquivo Pessoal

A perspectiva de que os abalos econômicos continuarão a ter reflexos nos próximos meses é compartilhada pelos empresários Fernando Dahm e Gizele Senna, que conduzem a Viver Bem Seguros, atuante no mercado desde 2007, mas com uma unidade em Gravataí há cerca de cinco anos. Segundo Fernando, diante de toda a situação proveniente da pandemia, a empresa se deparou com um grande paradoxo. “Por um lado, o setor é beneficiado pelo aumento da demanda e interesse da população por seguros e proteção familiar, e de outro há uma queda de arrecadação, visto que existe uma corrida aos bancos para saques em espécie. No setor, observamos que as seguradoras estão agindo para garantir assistência a seus segurados, pois esta é função do seguro, trazer proteção financeira aos familiares em momentos difíceis.  Nos próximos meses, o mercado inteiro ainda sofrerá reflexos da redução das vendas e receitas, e infelizmente o micro e pequeno negócio será o mais afetado, pois não havia em grande parte destas empresas um fundo de reserva para períodos de baixa.”

Conforme Fernando, os efeitos, contudo, dependerão das medidas adotadas. “Infelizmente, sem uma intervenção direta do governo na economia, a curto, médio e longo prazos, fomentando e injetando recursos que estimulem o crescimento interno, a tendência é de que haja um aumento nas taxas de desemprego e consequente piora no PIB, já que o cenário externo também tem impacto direto em nossa economia, diante da taxa de câmbio em patamares que elevam o custo de produção local, as importações e uma alta taxa tributária. Veremos o setor industrial atravessando muita turbulência ao longo do ano.” Por mais difícil que seja para a população lidar com todas as medidas restritivas que vem sendo feitas, é preciso compreender a importância da precaução. “Acredito que não há mal que dure para sempre. Será temporário e poderemos então retomar nossas rotinas. Hoje, a tecnologia nos permite a comunicação de qualquer lugar, encurtando distâncias e agindo a favor de nossa sociedade.”

*Em breve, você poderá conferir esta reportagem e outros temas relacionados à pandemia, na edição de abril da Evidência.