Foto: Divulgação/Correios

Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), 70% dos colaboradores, tanto do setor operacional, quanto administrativo, estão em greve desde a última segunda-feira (17/8). Em nota, a instituição alega que a paralisação é realizada por causa da “retirada de direitos e em defesa da vida de mais de 100 mil trabalhadores”. De acordo com a Federação, “desde o início da pandemia foi necessário travar uma luta judicial para garantir equipamentos mínimos, testagem de trabalhadores e afastamento dos grupos de risco.” Mais de 70 trabalhadores teriam falecido vítimas da Covid-19. Contudo, 30% dos trabalhadores seguem em atividade, o que está previsto na legislação. “Novas assembleias serão realizadas nos estados ao longo da semana, com avaliação de greve. No entanto, a greve deve contar com novas adesões dada a retirada de direitos, prevista no Acordo Coletivo da categoria que teria vigência até 2021, e perdas salariais que chegam a 40% da remuneração, além de direitos como licença maternidade de 180 dias e auxilio para dependentes com necessidades especiais”, informa a Fentect.

Os Correios afirmam que a paralisação dos empregados não afeta os serviços de atendimento da estatal. A empresa aponta que 83% do efetivo total no Brasil está trabalhando regularmente. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas. Segundo a assessoria de imprensa, a rede de atendimento está aberta em todo o país e os serviços, inclusive SEDEX e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios. Quanto às negociações com a categoria, os Correios destacam que o objetivo é “cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.” Em nota, a empresa ressalta que “a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019.” A empresa explica que não foram retirados direitos, porém houve adequação de benefícios e que empregados classificados como grupo de risco foram direcionados para o trabalho remoto.