Foto: João Alves

São muitas vidas perdidas por conta da pandemia. Quando os números se referem a pessoas que não conhecemos, até podemos ficar um pouco indiferentes, mesmo que saibamos do impacto causado entre amigos e familiares das vítimas, mas, quando os casos chegam aos nossos grupos, a coisa começa a ficar mais séria. Embora não tenha acontecido comigo ou com meus familiares, fico consternado pelas várias histórias de vida abreviadas. Não só pela Covid, mas também por outras doenças. Senti a partida de Albrecht Schott, por exemplo, que foi um modelo de empreendedorismo e comportamento. Também fui impactado pela morte de Mercedes Helena Vicentini. Estudei no Tuiuti quando ela foi diretora. Embora criança, ainda lembro de sua figura imponente e da postura digna e firme. Acompanhei de longe sua trajetória e sempre aguardava um momento para encontrá-la e manifestar meu respeito e admiração. Não será mais possível. Milhares de pessoas se foram nesse ano de pandemia, de forma ainda mais intensa no último mês, principalmente pelo acréscimo ocasionado pelas variantes do coronavírus. Precisamos reforçar os protocolos de segurança. A gripe espanhola, um século atrás, tirou a vida de cerca de 50 milhões de pessoas no mundo. Passados cem anos, repetimos erros parecidos. Muitos contrariam a ciência, se aglomeram, não usam máscara e ajudam a disseminar o vírus. As atividades econômicas poderiam funcionar, com os protocolos devidos, se a sociedade mantivesse os cuidados necessários. As escolas poderiam estar abertas, especialmente na educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, com a proteção necessária aos estudantes e professores. Para que possamos voltar gradativamente ao normal, enquanto a vacina não chega a todos, muito cuidado. Porque todas as vidas importam.

Além do horizonte

Um segundo casamento significa a vitória da esperança sobre a experiência. Que bom quando isso acontece (a vitória da esperança). Experiências negativas não devem impedir de seguir em frente, tentar novamente, arriscar, não só nos relacionamentos, mas em vários aspectos da vida. Toda essa situação estressante decorrente da pandemia pode levar alguns a desistirem de seus sonhos, fecharem seus negócios, pararem de estudar. Todavia, além do horizonte, deve ter algum lugar bonito para viver em paz, onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza. Quando voltarmos à normalidade, as pessoas vão querer viajar, estudar, ir a restaurantes, interagir e até casar (de novo). Assim, outros sonhos precisarão ser realizados, de modo que precisaremos estar preparados para um manancial de oportunidades que surgirão. Não acredito numa mudança de comportamento para melhor da sociedade. Pessoas ruins continuarão sendo ruins e pessoas boas continuarão sendo boas. Mas é possível que o aprendizado adquirido faça com que possamos cometer apenas erros novos e, quem sabe, andarmos mais para a frente. Assim, como disse Mandela no filme que retratou sua vida, espero que as pessoas avancem além de suas próprias expectativas. Chega de tristeza, de baixo astral. Vamos construir uma sociedade diferente, ética e positiva, até como forma de respeito e consideração a tantas vidas perdidas nessa pandemia. Que, além do horizonte, a esperança vença a experiência.