José Paulo da Rosa. Foto: Walter Craveiro

Chegamos ao final de 2019, o que representa concluirmos a segunda década deste milênio. Em novembro, estive num evento, em São Paulo, onde vários palestrantes renomados, de diferentes partes do mundo, abordaram novas tecnologias, novos conceitos, inovação, disruptura e desafios para o futuro. Todos eles apontam para a velocidade da mudança. A China, por exemplo, já lançou a comunicação 5G, o que vai alavancar enormemente o uso de algumas tecnologias, como a internet das coisas. Tudo isso estará aqui em breve. Pode demorar um pouquinho por conta da necessidade de investimento em infraestrutura, mas em seguida entrará em nossas vidas. Olhando para as últimas décadas, observamos como surgiram novidades que mudaram radicalmente nosso comportamento em apenas 10 anos. Esse modo de viver dependente de aplicativos, por exemplo. Ninguém segue um caminho no carro baseado em seus instintos, ou por sua experiência, mas sim por aquele indicado pelo Waze. A maior alegria de um vivente se dá pelo número de likes que recebe e não por parabéns presenciais, aquele quebra-costelas bem chinchado. Possuímos avatares que nos representam nas redes sociais, sempre lindos, lépidos e faceiros. Digitamos e não conversamos. Convivemos com uma sociedade de zumbis, caminhando, digitando e olhando a tela de seus celulares. Esse avanço da tecnologia e a alteração do modo de viver serão ainda mais impactantes nos próximos anos, de modo que sugiro a todos que aproveitem este réveillon, confraternizem com suas famílias, desfrutem o resquício destes momentos únicos que a forma de se relacionar atual ainda propicia. Porque no final de 2029, quando entrarmos em uma outra década, não sei como será.

A Imbecilidade Humana

O autor dos livros Sapiens: uma breve história da humanidade e 21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari, apontou, nesse evento em São Paulo, alguns desafios que temos para o futuro. Um deles é o de não subestimarmos a imbecilidade humana. É impactante dar valor a essa questão, quando julgamos prudente sempre destacar nossa inteligência, a capacidade que temos de inovar, de aprender, de superar desafios. Todavia, pelo que temos visto no Brasil, nos EUA, na Venezuela, na Bolívia, no Chile, em Hong Kong e tantos outros países, convém dar valor ao preconizado por Harari. Continuo acreditando que este novo mundo em que vivemos, onde a tecnologia está em primeiro lugar, carece de uma base comportamental que está sendo deixada em segundo plano. O foco da sociedade deveria ser melhorar a educação, trabalhar os fundamentos, desenvolver a honestidade, a generosidade, o amor ao próximo – o alicerce em primeiro lugar. As pessoas éticas e bem centradas precisam assumir a responsabilidade que têm e ocupar o espaço que está disponível, porque não podemos correr o risco de subestimar essa imbecilidade que assola nosso país, à esquerda e à direita. O avanço da tecnologia, a internet e as redes sociais deram voz a milhares de pessoas que antes não se manifestavam. Isso é bom, mas a falta de educação faz com que tenhamos contato com muitas imbecilidades. Essa baixa qualidade da educação dificulta vivermos num mundo melhor. Nas próximas décadas, não vamos subestimar a imbecilidade humana e fiquemos atentos, para que a ética e a inteligência prevaleçam.

*Texto do diretor regional do Senac-RS, José Paulo da Rosa, publicado na edição de dezembro da Revista Evidência.