José Paulo é um dos colunistas da Evidência. Foto: João Alves

Em janeiro, passando alguns dias no nosso litoral, incentivamos as crianças a ficarem afastadas dos eletrônicos, como TV, tablet e celular. Porque, se não forem estimuladas, ocupam todo o seu tempo em frente à tela. Futebol, pega-pega e esconde-esconde são as brincadeiras preferidas, quando conseguimos fazer com que se mexam, especialmente se participo junto. Quando inicia o esconde-esconde, depois de um tempo em que aquele que está procurando não encontra os demais, ele começa a gritar: Dááá um sinaaal! Dááá um sinaaal! Ao que algum dos escondidos faz um barulho ou imita um animal, de modo a facilitar a procura. Ouvindo esse pedido formulado na brincadeira, os adultos sentem-se dispostos a gritar para as operadoras de celular: DÁÁÁ UM SINAAAL!!! Em determinados pontos do litoral gaúcho foi impossível utilizar internet, receber mensagem, interagir em redes sociais, eis que o sinal não existia. É de nosso conhecimento que a demanda nesse período de verão é muito superior àquela que se verifica no restante do ano, o que obviamente ocupa a rede disponível, mas vamos combinar que isso é sabido pelas operadoras. Acrescente-se que a cobertura que temos em diversos pontos do Estado, além do litoral, é muito ruim, basta se afastar um pouco do centro das cidades para que o sinal desapareça. Num momento em que a tecnologia 5G já está em operação em alguns países, disponibilizando internet das coisas, inteligência artificial e uma série de outras inovações, que vão alterar para sempre a forma de trabalhar, se relacionar e viver, ficamos por aqui muito distantes dessa realidade. Não conseguimos colocar em prática 3G ou 4G, que dirá o 5G. As operadoras preocuparam-se apenas em vender aparelhos. No Brasil, existem mais aparelhos de celular do que habitantes, o que demonstra o sucesso na venda para os consumidores. Ocorre que o investimento em infraestrutura não foi proporcional. Mais antenas deveriam ter sido colocadas, de forma a disponibilizar o sinal para os clientes. Nas condições atuais, ficamos brincando de esconde-esconde, procurando um sinal inexistente. A exemplo das crianças, nos resta gritar para as operadoras: Dá um sinal!

Candidatos a Prefeito

Acompanhando as estratégias dos postulantes a prefeito em Gravataí, chama a atenção o processo para definir o candidato da situação, apoiado pelo atual prefeito. Pelos resultados apresentados na gestão presente, o candidato de Marco Alba tem muitas condições para ser eleito. Entretanto, todavia, porém, contudo – há que se ter cuidado, que é a característica da condução feita pelo atual mandatário. O mundo mudou, os eleitores mudaram, as redes sociais estão por aí influenciando comportamentos e deixando muito mais claro quem as pessoas realmente são, expondo suas virtudes ou suas mazelas.  As exigências são diferentes do passado. Não existe um modelo pronto, definitivo. Assim, muitos são os interessados, mas apenas um será o escolhido, que terá a responsabilidade de defender a proposta vigente e concorrer com os demais candidatos. A sociedade já demonstrou que não aguenta mais corrupção, que quer um gestor capaz de fazer as mudanças necessárias e que apresente resultados. Que tenha habilidade política para negociar com vereadores, demais entidades e entes federativos. Que consiga gerir os recursos, fazendo mais com menos, que é a característica das organizações atuais. Que tenha passado e presente ilibados, com experiência, formação e comportamento dignos de uma liderança exemplar. Que seja transparente e capaz de formar uma equipe competente, ética e responsável. Que entregue sua gestão melhor do que recebeu. Que trabalhe o presente e o futuro, sem ficar de mimimi, apenas reclamando do passado. Essa pessoa existe? Pois bem, está aí a dificuldade de quem precisa indicar um candidato. Nesse cenário, com os prazos chegando ao seu limite, todos os postulantes, bem como a imprensa e demais partes interessadas, devem estar pedindo ao prefeito Marco Alba: DÁÁÁ UM SINAAAL!

*Artigo publicado na edição de fevereiro da Revista Evidência. José Paulo da Rosa é o diretor regional do Senac-RS.