Foto: Gustavo Veiga

Há pessoas que demonstram liderança cedo, ainda na escola. Este foi o caso do vereador Alan dos Santos Vieira, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Aos 33 anos, o atual presidente da Câmara Municipal recorda que foi no ambiente escolar que sua trajetória profissional começou a ser desenhada. “Costumo dizer que o divisor de águas foi o Dom Feliciano, onde estudei com bolsa de estudos. Sem eu entender ou sentir, comecei a fazer política no colégio”, conta o parlamentar que obteve 2.121 votos nas últimas Eleições. Através da instituição de ensino, o gravataiense passou a participar de diversas atividades sociais, que, por sua vez, o tornaram conhecido, especialmente no Centro da cidade. Fosse no time de futebol, na banda marcial ou com o grupo de rock, ele revela que estava sempre disposto a lutar pelas reivindicações dos colegas e amigos. Pelo senso de justiça, decidiu cursar Direito no Centro Universitário Metodista IPA, o que lhe oportunizou um estágio no gabinete de Marco Alba, na época deputado estadual. De lá para cá, a vida política se solidificou e, agora, o vereador inicia o terceiro mandato.

Com os pais, o ex-prefeito Marco Alba e a deputada estadual Patrícia Bazotti Alba. Foto: Gustavo Veiga

O filho mais novo de Francisco e Leoneci (Chico e Ci) foi eleito presidente da Câmara em 2021 com o apoio de 12 dos 21 vereadores. A mesa diretora deste ano também é composta pelos vereadores Roberto Andrade (PP), como vice-presidente; Alex Peixe (PTB), no cargo de primeiro-secretário; e Marcia Becker (MDB), como segunda-secretária. Em entrevista à Evidência, em janeiro, Alan relatou como a liderança nas turmas e, posteriormente, a experiência como estagiário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, foram importantes para sua compreensão acerca do papel da boa política. “Não sou do Centro da cidade, minha família é do bairro Santa Cruz. Naquela época, me enraizei nas famílias do Centro, como Carbonera, Ascari, Fonseca. Essas três famílias são marcantes pra mim. Quando fui candidato pela primeira vez, aos 21 anos, isso me ajudou muito, pois as pessoas já me conheciam. Sempre fui uma pessoa bastante comunicativa e, com isso, comecei a me popularizar no público jovem”, lembra o emedebista, filiado desde que tinha 16 anos.

Já no início da faculdade, o irmão de Márcia, Maurício e Aline recebeu a oportunidade de estagiar no gabinete de Marco Alba, o que mudou sua visão sobre o trabalho dos políticos e a contribuição para a comunidade. “Quando era mais novo, tinha o raciocínio do jovem comum que não tem contato com a política: não acreditava na política. Acreditava em tudo de ruim que falavam. Aceitei o estágio muito contrariado com a política. Mas a convivência com o Marco me fez gostar da boa política, em especial, pelo modo como ele lidava com todas as demandas, recebendo prefeitos e vereadores”, explica. No Governo de Yeda Crusius, Alba foi secretário de Estado, e Alan passou a atuar como assessor, o que, mais uma vez, trouxe aprendizados, e o estimulou a concorrer pela primeira vez. “Concorri com 21 anos, fiz 590 votos. Não me elegi”, salienta o gravataiense, que, atingiu o objetivo nas eleições seguintes e foi reeleito no pleito de 2016.

Com o apoio dos familiares e da namorada, Camila Corrêa, o vereador encara o desafio de presidir o Legislativo pela primeira vez. Algumas de suas metas para o trabalho na Casa em 2021, bem como uma retrospectiva de sua trajetória como parlamentar, são destaques da entrevista que você confere nesta edição.

Entrevista

Na juventude, o que fez a tua visão sobre a política mudar?

“A política é a arte de promover a felicidade das pessoas. A política é um meio com o qual podemos fazer as pessoas felizes, seja com carinho, atenção, informação, demanda, investimento na cidade. O Marco foi secretário de estado e eu me tornei assessor dele. Fui representá-lo numa inauguração de um programa de extensão de rede de água, em Ibirapuitã. Uma senhora me chamou, começou a chorar e agradeceu porque tinha água em casa. Fui em nome do secretário, mas ela olhou pra mim e agradeceu. Aquilo ficou marcado. A política pode ser um fator determinante para a mudança de vida das pessoas. O que pode parecer simples, foi de grande importância para a comunidade. Aquilo despertou a vontade de ser vereador da minha cidade e potencializar o que quero em melhorias para o município.”

Estás no terceiro mandato como vereador. Avalia que a Câmara passou por muitas mudanças nos últimos anos?

“Olhando agora, vejo que mudamos a cidade. Transformamos a cidade. A Câmara e o Governo Municipal deram uma nova cara para Gravataí. É através do Legislativo que sustentamos, inviabilizamos ou damos condições para um governo implantar políticas. Há oito anos, quando ganhamos a eleição, vínhamos de outro modelo de gestão. O Marco e os vereadores encararam o desafio de mudar a lógica administrativa da cidade. Votamos projetos impopulares com a casa lotada e nos chamando de tudo que é coisa! Mas sabíamos que estávamos fazendo o certo. Estancamos o desperdício de verbas públicas, buscamos o equilíbrio fiscal para termos como financiar obras. É como na nossa casa: se estamos no cheque especial, não conseguimos tirar empréstimos. Para fazer uma reforma, temos primeiro que pagar as nossas contas. Nós, didaticamente, fizemos isso: pagamos as contas. Através do equilíbrio fiscal, os bancos começaram a nos procurar. Deixamos de ser maus pagadores. Éramos a segunda pior gestão fiscal do estado. Fizemos uma relação com empresários e comerciantes totalmente diferente. Fizemos a maior reforma administrativa da história de Gravataí.”

Acredita que a população passou a enxergar de forma distinta o trabalho dos vereadores?

“Sim. As pessoas perceberam a política fazendo seu papel de obrigação. A população vê os investimentos, as obras que foram possíveis por que lá traz fizemos uma reforma administrativa. Isso é a boa política retornando tributos em obras de qualidade.”

Foto: Jefferson Sobes

Na posse como presidente da Câmara, a definiste como “enxuta e eficiente”. Por quais motivos?

“Os vencimentos dos vereadores estão defasados há oito anos, bem como dos servidores do município. Não temos verbas de gabinete, auxílio moradia, auxílio combustível, auxílio paletó, como alguns acham. Temos os vencimentos. É a Câmara mais enxuta porque as demais têm isso que estamos falando. Mais eficiente porque, com essa defasagem, nós fizemos a maior reforma administrativa que deu a sustentação para as transformações da cidade. As obras aconteceram porque a Câmara de Vereadores fez a sua reforma. Aprovamos financiamentos e, com isso, a sociedade recebeu as obras que elevaram a autoestima dos gravataienses. Não temos privilégios e fizemos a nossa parte.”

Recursos economizados

A Câmara devolveu mais de R$ 3,9 milhões para o município em 2020. A quantia é relativa a recursos públicos economizados pelo Legislativo ao longo do ano. O valor poderá ser utilizado pela Prefeitura em áreas como saúde, educação, segurança e nos demais serviços prestados.

Entre os projetos que apresentou no Legislativo, quais destaca?

“Meu mandato sempre foi muito voltado à inclusão. Foram muitos projetos, mas um que gostaria de destacar é a Lei Miguel, que leva o nome de meu sobrinho autista. Tenho o prazer de ter uma família sólida, na qual todos se amam e se cuidam. Nós percebemos que o Miguelzinho era especial. Depois de tudo que vivemos, pensei: como alguém que tem uma criança especial vai identificar isso? A Lei Miguel são perguntas básicas que, em parceria com as Secretarias de Saúde e Educação, são feitas nos postos de saúde e escolas públicas municipais. O agente de saúde ou professor consegue fazer essa identificação breve e encaminhar para a rede de saúde fazer o diagnóstico. No autismo, quanto mais rápido o diagnóstico, mais chance de evolução. O destino e Deus fizeram com que ganhássemos um anjo Miguel. É um projeto marcante para mim.”

Luta antiga

De acordo com o presidente da Câmara, outra luta em seus mandatos tem sido a desburocratização e modernização do setor público. “A burocracia não pode atrapalhar. Há 300 itens no site da Prefeitura pelos quais não é preciso falar com vereador ou secretário, a população consegue resolver. Mas ainda temos que avançar muito. O processo em si, para um empreendedor, deve estar na palma da mão”, comenta o parlamentar, argumentando que é preciso facilitar cada vez mais o surgimento de novos empreendimentos para geração de empregos e desenvolvimento da cidade.

Na presidência da Casa, quais pautas terão prioridade?

“A pauta da retomada das atividades econômicas, junto com o Executivo, a Secretaria da Saúde e os demais segmentos, e a volta às aulas presenciais. A vida pós-pandêmica será de uma recessão forte. Muita gente quebrou, fechou, perdeu emprego. Temos que ter essa sensibilidade e criar meios e mecanismos para que a vida comece a voltar ao normal, tomando todas as medidas de prevenção. O planejamento de volta às aulas também é muito importante. Muitos pais não têm onde deixar os filhos. E, caminhando com essas pautas, o novo polo industrial do município, que é um tema já conversado no meu último mandato. Será uma pauta encaminhada pelo Governo Municipal, mas é um projeto da Câmara de Vereadores também.”

Aulas na rede municipal

O retorno das aulas presenciais da rede municipal de ensino está marcado para oito de fevereiro. A volta ocorrerá respeitando o rodízio de 50% do número total de alunos por sala de aula. Para isso, está sendo adotado um sistema híbrido, em que os alunos se revezarão entre aulas presenciais e atividades domiciliares, semanalmente.

Na prática, como a Câmara poderá auxiliar nas ações de retomadas das atividades econômicas?

“Na articulação, diálogo com os empresários. É uma demanda da cidade. Empresários nos acionaram muitas vezes. O Legislativo tem a liberdade e obrigação de fortalecer essa pauta do polo industrial e de inovação.”

Quais teus principais objetivos à frente do Legislativo em 2021?

“Quando assumi, tive que tomar algumas medidas. Ampliei o horário da Câmara, escalonando os gabinetes em respeito às normas sanitárias e de higienização. Neste momento que a gente vive, os gabinetes dos vereadores servem para alento à nossa comunidade. Ampliei o horário, junto com servidores e a Casa para garantir o atendimento à população. O momento é de olhar para frente, ver para onde temos que ir. Junto com o Executivo, Judiciário e entidades de classe temos que orientar nossa população; além de fiscalizar o Executivo e buscar alternativas.”

Atendimento ao público

Muitas demandas chegam ao Legislativo através das redes sociais, porém a Câmara Municipal reabriu, em janeiro, para atendimento ao público externo, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A Casa opera em regime de escalas, divididas em dois turnos: das 8h às 13h, e das 13h às 18h.

Alguma mensagem especial para os gravataienses?

“Minha mensagem é de otimismo. Em momentos difíceis, é que temos que nos superar, pensar que através dessa superação poderemos promover o bem-estar da nossa cidade, somando forças com Executivo, entidades civis, com a nossa população, pensando sempre no melhor. Gostaria muito que os gravataienses confiassem nos 21 vereadores, no Executivo, que acreditassem que, através de nós, com muito trabalho e dedicação, vamos promover muitos assuntos importantes.”

*Esta reportagem foi publicada na editoria Com a Palavra da Revista Evidência de fevereiro.