Grupos de saúde mental costumam realizar trilhas, no Itacolomi, anualmente. Foto: Revista Evidência

A natureza é poderosa. E exuberante, quando preservada. Sua importância em nossa vida é incontestável. Num tempo em que a preservação ambiental precisa ser uma prática, muito além de discursos, encontrar um lugar de beleza singular, repleto de verde e ar puro, parece um propósito distante. Mas nem sempre é. Embora sejam notáveis as ações do homem, a região do Morro Itacolomi ainda preserva riquezas naturais. Recentemente, dezenas de pessoas puderam constatar isso ao fazer uma trilha pelo local e se deparar com belas amostras da nossa flora e fauna. A reportagem acompanhou o percurso de um grupo, no dia 18 de outubro.

A manhã estava nublada, a temperatura agradável. A chuva havia predominado nos dias anteriores, porém, finalmente, dava uma trégua. Esse era o cenário encontrado pelas 32 pessoas que acordaram cedinho naquela sexta-feira para subir o Morro Itacolomi. Na concentração, realizada em frente à Unidade de Saúde da Família São Marcos, percebia-se o entusiasmo de uns, a ansiedade de outros. Entre os participantes, os que já haviam desbravado a região algumas vezes e os que fariam o trajeto pela primeira vez. Grande parte da turma que realizou o roteiro fazia parte das equipes ou usuários de serviços de saúde do município. A subida ao morro é uma das atividades anuais dos grupos de saúde mental integral, coordenados pelos psicólogos Gerson Jung e Kátia Ferreira. As motivações para fazer a trilha eram distintas, no entanto, todos compartilhavam a expectativa de que aquele fosse um dia para se esquecer dos problemas e das preocupações cotidianas e renovar as energias a partir dessa conexão com a natureza.

Foto: Revista Evidência

A caminhada foi orientada por três guias, Suzana Kersting, Jonas Bianchin e Gilberto Moreira. Para a segurança de todos, eles deram dicas sobre os cuidados básicos necessários ao andar pela mata e recomendaram que o grupo não se distanciasse. Foram feitas paradas para o lanche e descanso e, à tarde, o sol apareceu, tornando a paisagem ainda mais bonita. A passagem por uma caverna foi um dos momentos marcantes, possibilitando a alguns testarem sua coragem e limites. Superação foi o que muitos tiveram, ao vencer o cansaço e encarar obstáculos impostos pela natureza. Especial também foi notar o cuidado entre quem fez a trilha. A cada trecho onde o passeio estava complicado por causa dos efeitos da chuva, mãos se estendiam para ajudar os que enfrentavam dificuldade. Ninguém ficava para trás. E assim foi durante todo o trajeto.

Benefícios à saúde

Fugir do movimento habitual da cidade é tudo o que queremos de vez em quando. É nessas horas que o contato com a natureza parece revigorar e nos trazer mais ânimo. Atividades ao ar livre são benéficas em vários aspectos e sinônimo de qualidade de vida, por isso a subida ao Morro Itacolomi se tornou uma tradição para os participantes dos 24 grupos de saúde mental mantidos pela Prefeitura. Gerson explica que o serviço consiste em oferecer espaços de renascimento, nos quais as pessoas tenham autonomia para novas ideias e ações. O passeio realizado em outubro foi o 15º do projeto. “Esta atividade é realizada como um trabalho terapêutico que visa o desenvolvimento da persistência num propósito”, diz o psicólogo. “O contato com a natureza é benéfico para a saúde porque aprendemos, ou melhor, retomamos os vínculos profundos com a terra, na sua segurança de pé no chão, com a flexibilidade dinâmica do ar, o conforto, fluidez e entrega da água, o entusiasmo e potência do calor que vem do sol e a clareza da imensidão do espaço infinito, no cume da montanha”, acrescenta.

Foto: Revista Evidência

Segundo o coordenador dos grupos de saúde mental, esse contato direto com a natureza traz harmonia e cura a muitos dos males corriqueiros que enfrentamos na rotina diária. “Vivemos numa sociedade estressada, povoada de distrações de pensamentos incessantes, emoções negativas e ações destrutivas, muito fora do ritmo do coração, da respiração profunda, do tempo do repouso e da natural manifestação da sustentabilidade da mata. O simples contemplar da natureza faz bem pela graça de estarmos na presença direta da realidade mais profunda que perpassa toda e qualquer interpretação do que os sentidos e a mente filtram, interpretam e conceitualizam”, ressalta Gerson.