Foto: Arquivo Pessoal

“Como vai você? Eu preciso saber da sua vida. Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia. Anoiteceu e eu preciso só saber: como vai você? Que já modificou a minha vida. Razão de minha paz já esquecida. Nem sei se gosto mais de mim ou de você.” A romântica canção de Roberto Carlos faz parte da trilha sonora da vida de muita gente. No repertório do músico Roberto Velho Costa (66) também é especial. Foi uma das músicas escolhidas por ele, recentemente, para gravação de um vídeo postado nas redes sociais. Aposentado como funcionário público da Prefeitura de Gravataí, Tião, como é conhecido, tem conciliado seu tempo entre a cidade e São Francisco de Paula, onde tem um cantinho aconchegante e inspirador para o trabalho musical.

Foto: Arquivo Pessoal

Viajar sempre foi uma paixão para o intérprete, que, ao lado de sua alma gêmea, Silvia Regina Silveira da Costa, escolheu uma casa no condomínio Remanso Indianópolis, em São Chico. “Íamos muito para Serra, inclusive acampando de barraca. Adoramos o clima de lá! Durante seis meses ficamos procurando imóveis dentro de nossas possibilidades até que encontramos e, há cinco anos, compramos. A casa fica em meio as araucárias e muita vegetação, bugios, papagaios, gralhas-azuis, cotias, jacus e diversos outros animais silvestres. Era uma residência para férias, finais de semana, uma segunda morada. Mas começou a ‘pegar a nossa cara’ e cada vez mais amávamos o lugar”, explica. O visual maravilhoso do local tem estimulado várias gravações, sobretudo porque Tião percebe a música como um alento para as pessoas neste período de pandemia, difícil para todos.

Foto: Arquivo Pessoal

Apesar dos ares de São Francisco de Paula terem conquistado o casal, deixar Gravataí não está nos planos. “Nunca nos desligaremos totalmente do município.  Temos nossas raízes aqui: irmãos, primos, amigos e principalmente as filhas e netos”, conta Roberto, que teve três filhos em outro casamento – Christian (41), Roberta (39) e Renata Fassina Costa (37). Silvia tem duas filhas, Silvana e Fabiani (Binha), e quatro netos, Ricardo, Antonio, Miguel e Raphaela. Além dos laços familiares, foi na Aldeia que o veterinário, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desenvolveu as habilidades musicais. “Ainda criança, tive o primeiro contato com violão. Eu ficava olhando minha irmã Anna Maria tirar as primeiras notas no violão e, após ela largar o instrumento, eu pegava, meio escondido. E assim comecei a tocar também. Aos 14 anos, com mais alguns amigos e meu irmão Flavio, tivemos a ideia de formar um conjunto musical. Depois de vários dias ensaiando, começamos a tocar em alguns clubes de Gravataí, Cachoeirinha e Glorinha. Todo o dinheiro arrecadado era para pagar as prestações dos instrumentos”, recorda.

A banda foi se destacando, mas, com os compromissos, os estudos começaram a ficar de lado. Notas baixas levaram ao término do projeto. “Eu tinha 15 anos e realmente precisava estudar. Naquele momento havia acabado minha carreira musical.” O tempo passou e, por causa do emprego, Tião morou em Caxias e Porto Alegre até retornar a Gravataí em 1985. Mesmo sem apresentações em público, o violão ficava por perto, tocava sempre que possível. Quando o karaokê entrou na moda, a trajetória como cantor ganhou espaço. Com o amigo Geraldo Fonseca passou a animar festas de aniversários, casamentos e outros eventos. Nessa época, começou a tocar teclado. “Foram mais de 15 anos cantando em Gravataí, em quase todos os clubes de Porto Alegre, Região Metropolitana e Serra”, salienta. O trabalho como músico o levou, posteriormente, a um novo projeto: acompanhar o Coral Carlos Bina Sogil, regido pela professora Ligia Ramos. A parceria já tem 20 anos!

Passados todos esses meses de pandemia, o funcionário público aposentado olha para frente na expectativa de que o ano-novo seja repleto de coisas boas. “Todos esperamos que em 2021 possamos voltar aos poucos à normalidade, embora acredite que essa normalidade será diferente de tudo até aqui, talvez dando mais valor aos amigos, familiares e a nós mesmos. Mesmo tendo meus filhos distantes, procuro manter contato permanente com eles”, comenta, acrescentando que Christian e Renata residem na Nova Zelândia e Roberta em Barueri, no estado de São Paulo.