Foto: Arquivo Pessoal

Desde 1972, Maroni João da Silva (70) não mora em Gravataí, mas os vínculos com a cidade não se perderam. O jornalista e sociólogo, residente em São Paulo há 35 anos, tem familiares e amigos por aqui e guarda boas lembranças da infância e juventude na Aldeia dos Anjos. Esteve no município em março de 2020, porém a passagem foi rápida. A intenção é voltar em breve com mais tempo. “Quero andar pelas ruas, visitar o Colégio Barbosa Rodrigues, o Josefina Becker e o Dom Feliciano, passando pela capela, biblioteca, entre outros locais, além da Igreja Matriz”, destaca o autor do livro  O lado místico do comércio, lançado há cerca de três meses.

Mais novo de uma família de sete irmãos, que vivia na região do Barro Vermelho, o gravataiense recorda com carinho da época em que iniciou os estudos na Escola Reunida do Passo da Caveira e teve excelentes professoras, como Maria Amélia Lima, Maria Doralina de Jesus Chiavaro e Maria Aparecida Barcelos Fonseca Martins de Lima. Os educadores que conheceu pelo caminho, aliás, o estimularam a estar sempre em busca de conhecimento. Da formação no ginásio, na Escola Josefina Becker, também guarda maravilhosas lembranças. Foi aluno de Zaida Jardim, que lecionava Inglês, de Celso Dalben e Berenice Lopes, professores de Português com os quais descobriu a riqueza da Literatura, e de Sirena Teles da Fonseca, que dava aulas de História. Fez muitas amizades neste percurso, algumas delas mantém até hoje, caso de Moacir Gomes Dutra, Mario Alexandre Dutra Souza, Claudio Wurlitzer, entre tantos outros. Ótimo aluno, Maroni recebeu um prêmio de destaque ao se formar no Josefina Becker, ocasião que lembra com detalhes. “O diretor da escola era o professor Eusébio Bastiani, uma grande pessoa. Fiz ginásio com 100% de frequência e ganhei um conjunto de canetas Johann Faber, que me foi entregue, durante a cerimônia, pelo meu pai. Foi uma surpresa!”

Segundo o escritor, o período no ginásio foi um dos mais marcantes de sua vida. “Foi uma espécie de rito de passagem, pois eu vinha de uma escola simples, da região rural, onde a gente só tinha um livro. Aí chego ao ginásio: eram vários livros e um professor para cada disciplina. Era outra cultura, no sentido de hábitos e costumes.” No Colégio Dom Feliciano, estudou Contabilidade. Não se identificava muito com a área, mas optou pelo curso por ser realizado à noite, permitindo que trabalhasse durante o dia. Foi nessa época que conheceu e se tornou grande amigo de Nicolau Chiavaro, a quem descreve como “um intelectual brilhante”. Após a formatura como técnico contábil, o Jornalismo entrou na história.  Inicialmente, a intenção era cursar Letras, no entanto, a necessidade de estudar à noite o levou para o outro caminho. “E não me arrependi, tem afinidade e nessa profissão aprendi muito e viajei também para vários países”, conta o sócio-diretor da Textocon, Comunicação & Cultura Organizacional que já esteve na Alemanha, Inglaterra, Venezuela, Colômbia, México, Chile e Polônia.

Formado em Jornalismo e Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), Maroni foi editor-assistente de Economia na Folha de São Paulo, repórter do Jornal da Tarde e colaborador da Agência Estado. Em Porto Alegre, trabalhou como repórter de Zero Hora e da Folha da Manhã, além de ter sido editor na Rádio Gaúcha e redator na Continental e na Farroupilha. Foi professor de Jornalismo Econômico e atualmente se dedica a projetos como consultor de Comunicação Corporativa. Já publicou o livro Magazine Luiza Negócio & Cultura e foi coautor de Gestão de pessoas no século XXI: desafios e tendências para além de modismos. Em breve, pretende voltar a dar aulas. Focado e dedicado ao trabalho, o gravataiense afirma que por mais dura que seja a vida, jamais devemos abdicar de nosso propósito. “Devemos acreditar sempre em dias melhores e manter nossos sonhos, com o pé no chão e fé no sagrado, que nos orienta e dirige. Não importa a crença doutrinária e sim os valores que nos orientam.”

O novo livro

O lado místico do comércio analisa o impacto da cultura organizacional de três grandes redes varejistas nos negócios – Carrefour, Magazine Luiza e Lojas Renner. O livro é resultado de uma pesquisa de doutorado em Ciências Sociais que aposta na religiosidade como diferencial competitivo na relação das empresas avaliadas com os concorrentes. Na visão do autor, as empresas tiveram que se reinventar nos últimos anos, abandonando uma cultura exclusivamente baseada em tradições, liderança e carisma dos dirigentes para dar lugar a uma “energia invisível”, através da qual busca-se alinhar atitudes e padrões de comportamento dos funcionários à identidade da empresa. O lado místico do comércio foi lançado pela Editora Appris e pode ser adquirido pelo site da empresa ou nas livrarias Cultura, Saraiva e Amazon.

*Reportagem publicada na Evidência de janeiro.