Zagueira Beta faz parte do elenco Tricolor desde 2017. Foto: Richard Vieira

Ainda está em tempo de conferir a edição de março da Revista Evidência, que traz na capa seis atletas das Gurias Gremistas e conta com uma sobrecapa publicitária da Viver Bem Seguros. Exemplares podem ser comprados nas bancas do Centro, nas praças próximo à Prefeitura e ao Hospital Dom João Becker. A publicação também está disponível aqui no site, no link Nossas Edições da página inicial. Entre as matérias, muitos conteúdos em homenagem às mulheres, pelo seu dia, celebrado em 8 de março. E, claro, aquelas seções que já são tradicionais, como Flashes Sociais, pIKEnIKE, Conceito, Melhor Amigo, Arquitetura e Interiores, Moda e muitas outras!

Um dos destaques

Na matéria de capa sobre a equipe feminina do Grêmio, um dos destaques é a história da zagueira Beta, que é de Gravataí. Confira a matéria:

Em meio às crianças que jogavam bola na rua, havia muitos meninos e uma só garota. Ela chamava a atenção, mas não por ser a única menina do time e, sim, pela habilidade que demonstrava no campinho improvisado. Aquelas partidas, recordadas com carinho, marcaram o início da relação de Roberta Cristina Silva da Rosa (31) com o futebol. A gravataiense, mais conhecida como Beta, é atualmente uma das mais experientes atletas da equipe feminina do Grêmio. As Gurias Gremistas, como são chamadas, treinam no Estádio Antônio Vieira Ramos (Vieirão) desde março de 2018, ano em que ergueram a taça do Campeonato Gaúcho.

Assim como a maioria das atletas tricolores, Beta se identificou com o esporte muito cedo. Na infância, quando estudava na Escola José Mariano Garcia Mota, era uma das craques dos jogos. Não demorou muito para começar a sonhar com uma carreira no futebol. Aos 15 anos, teve uma oportunidade de jogar nos Estados Unidos, mas não pôde ir. O sonho parecia se distanciar. As coisas não eram fáceis, e a atleta passou anos conciliando o esporte com um trabalho na indústria. Apenas em 2009 atingiu a meta de se dedicar exclusivamente à prática esportiva. Após passagens por clubes como Kindermann, de Santa Catarina; São Paulo; Pelotas e Canoas, no Rio Grande do Sul, além da Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF), a jogadora conquistou sua vaga no Grêmio em 2017, ano em que o clube resgatou o futebol feminino para participar do Campeonato Brasileiro A1. “Sou gremista e poder vestir a camisa do meu time, que foi campeão do Gauchão de 2018, é muito especial na minha trajetória no esporte”, relembra a zagueira.

O fato de treinar no estádio do Cerâmica, em sua cidade natal, é especial para a gravataiense, que lembra ter assistido a alguns jogos no local. “Recordo que, uma vez, liguei para o clube para saber se teriam um time feminino”, comenta a gremista, que sempre encontrou no pai, Enio Roberto, um grande incentivador. A mãe, Silésia, via a escolha profissional com apreensão, mas acabou se rendendo ao ver que a filha estava decidida a investir na carreira. E mais: o talento que tinha não poderia ser desperdiçado. Hoje em dia, toda a família acompanha os campeonatos e torce pela jogadora. A torcida, aliás, é grande! Beta tem oito irmãos: Joseane, Juceleni, Jean, Jovane, Aliadine, Ericris, Jonas e Natália. Também completam a turma de torcedores, o namorado, Bruno dos Santos, e o padrasto da atleta, João Alfredo.

De personalidade forte, lutadora e otimista, a defensora tricolor conta que aprendeu muito com o futebol. “O esporte me ajudou a saber ouvir e falar no momento certo, a ser humilde, respeitar as pessoas independente de raça, crenças e opiniões”, frisa. Com um jeito simples e alegre, ela procura, a partir da própria experiência, mostrar que devemos ter o pé no chão, mas não nos impedir de sonhar. “Às que estão começando no futebol, acho importante dizer que sempre haverá pedras no caminho. Talvez ouçam ‘não’ muitas vezes, mas é preciso acreditar. O melhor do futebol para as mulheres está por vir através da nova geração”, salienta, justificando que, apesar do cenário esportivo ter evoluído, ainda há aspectos para melhorar. “Muitas pessoas ainda julgam o futebol feminino, sem conhecer. Acham que não tem graça, que é muito lento. Mas os times vêm provando que não é assim e quebrando alguns paradigmas”, afirma. Outra dica da jogadora para os atletas iniciantes é ter paciência e seguir as recomendações médicas diante dos quadros de lesões.

A zagueira destaca que se sente realizada pelas conquistas provenientes da trajetória esportiva, mas ainda tem metas, como vestir a camisa da Seleção Brasileira. Não à toa uma de suas principais referências é a futebolista Miraildes Mota. Formiga, como é conhecida da torcida, participou de sete Copas do Mundo, sendo que disputou a última edição, em 2019, aos 41 anos.