Foto: Revista Evidência
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Com certeza você já ouviu que devemos “fazer o bem sem olhar a quem”. Este é o pensamento das voluntárias do projeto Por Amor: sozinhas nunca mais, desenvolvido pela Associação dos Moradores da Morada do Vale I (Amoval). A iniciativa, que começou no ano passado, consiste na confecção de toucas, turbantes e perucas para pacientes em tratamento contra o câncer no Hospital Conceição, de Porto Alegre. Nos primeiros meses de pandemia de Covid-19, o trabalho foi suspenso, porém há poucas semanas, o grupo retomou a produção nas dependências da antiga creche da instituição, na Rua Afonso Alves, 700. Atualmente, cerca de 15 mulheres do bairro estão engajadas na ação, através da qual foram doadas mais de 50 perucas.

A presidente da Amoval, Sandra Maria Palha (63), ressalta que as voluntárias se reúnem duas vezes por semana, todas as terças e quintas, das 14h às 17h, para confeccionar os modelos. O projeto começou depois que uma das participantes, Sônia Plentz (51), reencontrou uma amiga em tratamento oncológico e soube que ela buscava alternativas para adquirir uma peruca. Sensibilizada com a história da paciente, a gravataiense decidiu ajudar. Ela e Sandra idealizaram a iniciativa que logo ganhou apoiadoras. Desde então, mediante doações de cabelo natural ou sintético com mais de 10 centímetros de comprimento, provenientes de colaboração direta ao projeto, as moradoras produzem as perucas e acessórios, depois entregues à equipe da ala oncológica.

O belo gesto iniciou com recursos próprios do grupo, porém, este ano, Por Amor: sozinhas nunca mais foi contemplado numa seleção do Sicredi, recebendo R$ 7 mil para investimento em materiais e equipamentos para a oficina de costura. Segundo a presidente da associação, o objetivo é seguir em busca de recursos para o trabalho, que também beneficiou pacientes que fazem tratamento em outros locais, como uma menina de Canoas, que recebeu o presente após relatar que sofria bullying na escola por estar careca.

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Na oficina montada na creche, as voluntárias dividem as tarefas. O primeiro passo é a higienização dos cabelos. Depois, o trabalho é minucioso, sendo preciso tecer fio a fio. As técnicas utilizadas foram ensinadas por duas professoras, Olga e Vanessa Falcão, que são mãe e filha. Para trabalhar com os fios, um aparelho foi improvisado, com canos e madeira. As moradoras desempenham suas funções com satisfação por saber que estão auxiliando outras pessoas a melhorar a autoestima, a se sentirem mais felizes diante do espelho. “Acreditamos que não devemos esperar algo acontecer conosco ou com alguém da família para ajudar. Ninguém aqui teve câncer, mas ficamos emocionadas em proporcionar alegria para alguns pacientes. Sabemos que a mulher é vaidosa, então é bonito de ver a reação ao receber uma peruca”, comenta Sandra.

A Amoval tem o intuito de ampliar o projeto, promovendo oficinas para ensinar a confeccionar perucas. Aqueles que puderem fazer doações de cabelos, podem entregar diretamente na creche, nos dias de reunião. Atualmente, também colaboram com a produção Eli Pavão (70), Elizete Souza de Oliveira (59), Eloísa Barnei (57), Ivone Melo (61), Maria de Lurdes Silva Medeiros (61), Maria do Socorro (65), Marlene Soares (67), Rosângela Lasca (56), Rose Feijó, Seliria da Silva Silveira (57), Shirley Clemente Nicolas (69) e Sueli Antuart (71).