Foto: Arquivo Pessoal

A saúde emocional é tão importante quanto a física. Quando ficamos doentes e sentimos os desconfortos de alguns sintomas, não podemos desanimar e, com isso, prejudicar o tratamento. A família de Gustavo Luís Fonseca da Silveira (46) pôde constatar a importância de se manter forte emocionalmente após o diagnóstico de Covid-19. Ele e a esposa, a securitária Fernanda Gama Pereira (46), testaram positivo para a doença. Os filhos do casal, João Vitor (14) e Fernando (5), não fizeram testes, porém o caçula apresentou sintomas como febre e indisposição durante um curto período. “As crianças ficaram assustadas quando souberam do nosso diagnóstico, pois a mídia liga a Covid-19 à morte. Foi neste momento que ouvi ‘pai, não quero que tu nem a mãe morra’, com os olhos cheios de lágrimas, medo e incerteza. Com muita atenção, conversa e carinho conseguimos superar e mostrar que muitas pessoas já tinham se curado”, relata o bancário.

Gustavo e Fernanda procuraram explicar aos garotos que tudo ficaria bem e que cuidar para não transmitir o vírus para outras pessoas era fundamental, o que exigia que ficassem em isolamento. A recuperação foi rápida. Até o fechamento desta edição, na segunda quinzena de julho, o casal não havia feito novos exames, mas não apresentava sintomas. Febre, forte dor de cabeça e pelo corpo levaram os gravataienses a procurar atendimento médico no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, há algumas semanas. Lá, foram prescritos medicamentos e feitos os testes que confirmaram o diagnóstico em poucos dias. “Depois, veio a perda do paladar, olfato, enjoo e cansaço. Usamos antibióticos, azitromicina e amoxicilina, e analgésicos para dor. Se não tivesse melhorado, teria incluído a cloroquina e ivermectina”, salienta o bancário, referindo-se a fármacos utilizados no desenvolvimento de ensaios clínicos e que vem sendo prescritos em alguns casos.

Segundo Gustavo, os sintomas provocaram noites mal dormidas, dor e angústia por pensarem que poderia surgir falta de ar, o que levaria a uma internação hospitalar. “O mais difícil é manter o emocional forte, pois os sintomas vão te derrubando. Nesta hora é que precisamos ter muita fé e certeza de que tudo passa”, frisa, acrescentando que “Deus só coloca em nosso caminho as pedras que podemos carregar”.

A partir da própria experiência, a família aponta que o coronavírus poderá afetar a população de formas distintas, fazendo com que alguns tenham um quadro mais leve e outros sofram com um estado grave. De qualquer maneira, é imprescindível cuidar de si e dos outros, respeitando as medidas de prevenção. “Para muitos, será uma gripe demorada e com dores; outros tantos não sentirão nada e alguns não vão superar. Por essa razão, é extremamente importante manter-se ativo neste período de quarentena, pegar sol sempre que possível, o que é bom para a saúde do corpo e da mente”, comenta. “Em Gravataí, acredito que ainda não estamos no momento mais crítico, por isso é muito importante a prevenção: utilizar a máscara, manter o distanciamento e sair somente para o estritamente necessário. Entendo também que o contato com o vírus é quase inevitável, então devemos estar com uma boa saúde mental e física para enfrentar e seguir em frente.”

*Matéria que integra a seção Saúde da Evidência de agosto.