Foto: Arquivo/Revista Evidência

O trabalho é árduo, exige dedicação e compromisso. Muitas vezes é cansativo, mas as pessoas que se dedicam a ele, não costumam reclamar. Pelo contrário, alegam que todo o esforço vale a pena. Ao término, o sentimento é de alegria e missão cumprida. Assim é o Carnaval para os integrantes da Sociedade Cultural e Beneficente Acadêmicos de Gravataí. A Onça Negra se prepara para o desfile organizado pela União das Escolas de Samba de Porto Alegre (Uespa), através da Bah Entretenimento. As apresentações vão começar às 20h do dia seis de março (sexta-feira), no Complexo Cultural do Porto Seco, e os gravataienses vão cruzar a passarela do samba, a partir da 1h50min de sábado.

Segundo o presidente da agremiação, Anderson Nascimento, este ano optou-se por levar à avenida um tema diretamente ligado à história e à cultura africana e afro-brasileira. O samba-enredo, intitulado Kilombo, foi composto por Rafael Tubino, Douglas Ananias, Maumau de Castro, Thiago Sukata, Thiago Meiners e Victor Alves. Representar muito bem a cidade é objetivo da escola, que iniciou os ensaios deste ano no dia 12 de janeiro, na Associação da Morada do Vale I (Amoval). O próximo ensaio acontece no domingo (9/2), a partir das 18h. Os ingressos custarão R$ 5,00.

Samba-enredo

Kilombo

Sou eu, a voz desse povo

Que o mundo novo vem pedir perdão

E no clarão da lua cheia

Na história do griô a nossa missão

Axé! Força e ancestralidade

Natureza em liberdade, a vida

O sol dourado que abençoa os guerreiros

Defendendo a paz, com sabedoria

O invasor chegou e a terra destruiu

Minha prece sufocada aos canhões

Nas orações, nossa gente se uniu

E nos braços da Rainha do Mar (Laiá)

Encontrei o meu alento, Odoyá

Se o tumbeiro trouxe a dor

Africano não contou o poder do Orixá

“Quilombo-mestiço”, raiz verdadeira!

Na luz do destino em terras brasileiras

Há esperança nesse chão, a coragem que floriu

De tantos Zumbis e Palmares, lutas por igualdade

Candeia! Ouça o grito da favela

Nosso povo não espera, é hora de recomeçar

A resistência combatendo a opressão

De artistas e irmãos a brilhar

“O Kilombo da cultura é aqui”

Na Aldeia de Gravataí

Um canto ecoa, Kizomba!

A Onça Negra é minha vida

De alma livre no toque do tambor

Quem é Gravataí? Eu sou!

(Gravataí eu sou!)