Foto: João Alves

O Brasil carece de uma série de melhorias, incluindo reformas administrativas que resultem numa gestão eficaz. Essas reformas dependem da Câmara dos Deputados e do governo federal. De qualquer modo, no nível municipal, onde prefeitos e vereadores eleitos assumem no início de 2021, existe um espaço muito grande para avançar, especialmente no que lhes cabe no âmbito da educação básica. Todavia, para que esses avanços sejam alcançados, é importante que os eleitos não chamem o VAR – Vídeo Assistant Referee (Árbitro Assistente de Vídeo). As partidas de futebol dos grandes campeonatos passaram a utilizar esse instrumento e em muitas vezes ele mais atrapalha que ajuda. Agora deram para revisar lances desde sua origem. No jogo entre Argentina e Paraguai, na eliminatória para a Copa do Mundo do Catar, o árbitro brasileiro foi chamado para revisar um gol de Leonel Messi, porque perceberam que lá na origem poderia ter tido uma falta. O gol foi anulado. No campo do Direito, crimes são prescritos, conforme o tempo de sua execução. Fica sempre uma vontade de criticar e julgar todos os erros cometidos, até possuímos um natural sentimento de vingança, entretanto, para que nossos municípios evoluam, é importante que aquele que assuma esqueça as rusgas do passado, coloque a bola no centro e inicie o jogo. Ficar criticando os antecessores ou justificar atrasos e decisões difíceis por conta de problemas do passado, somente vai tornar o jogo chato e amarrado. Pior ainda é ficar procurando problemas. Embora seja necessário corrigir adversidades, espera-se que o tempo não seja ocupado apenas com isso. É importante olhar para a frente e deixar o VAR apenas para a justiça e para as partidas de futebol. Se for assim, nossos municípios poderão vencer o jogo.

Casais, não chamem o VAR

Existem casais que, quando estão com outras pessoas, costumam fazer críticas mútuas, mesmo que sejam constrangedoras. É aceito pelo casal e pelo grupo e, quase sempre, é até engraçado. Bom humor é fundamental. Em alguns casos, entretanto, falhas não são perdoadas, mesmo que o erro já tenha sido prescrito, e, a qualquer momento, numa pequena discussão, esse fato do passado é colocado na mesa. É o VAR sendo chamado. Qualquer pessoa pode tomar a iniciativa de separar ao entender que já não é mais possível seguir junto. Tudo bem, faz parte de nosso livre arbítrio. Mas, ao optar por continuar um relacionamento, não acrescenta nada ficar lembrando os erros do passado. Por conta disso, inclusive, há quem prefira separar, para não passar toda a vida com uma marca na testa. Também dentro das organizações, quando algumas lideranças são trocadas, por erro ou desempenho ruim, não é o caso de quem entra ficar toda hora lembrando ou justificando ações com base nos problemas do passado. É necessário saber perdoar e entender que a trajetória, mesmo com erros cometidos, foi importante para nos trazer até aqui, além do aprendizado conquistado. O ano de 2020 evidenciou que somos muito vulneráveis e que tudo pode acabar de uma hora para outra. Assim, sugiro que a partir de 2021 olhemos para a frente com coragem e otimismo, sem ocupar nosso tempo com erros do passado, com picuinhas. Não vamos chamar o VAR para discutir nossas relações toda hora. Que os erros cometidos não se repitam e sirvam de exemplo para que tenhamos um presente e um futuro com mais acertos. Feliz 2021!

*Texto de José Paulo da Rosa, administrador, doutor em Educação, diretor do Senac-RS e Sesc-RS. Artigo integra a Evidência de dezembro, que começa a circular nos próximos dias.