Foto: João Alves

Marco Alba fez um ótimo governo. Como exemplos das mudanças positivas, basta citar a melhoria na Centenário e as pontes do Parque dos Anjos. Mesmo passando por anos tão conturbados, na política e na economia nacional, Gravataí conseguiu evoluir sem sobressaltos. Ainda tivemos a pandemia, que está sendo superada sem grandes traumas, embora a dor profunda para aqueles que perderam seus familiares, ou a tristeza dos empresários que encerraram suas atividades. Um dos conceitos sobre Qualidade diz que ela está na capacidade de atender as expectativas dos clientes. Para as lideranças, isso é um complicador, porque o primeiro passo para o insucesso é querer agradar a todos. Muitas vezes, é necessário saber dizer “não”, porque o que é bom para uns, nem sempre será para outros. O prefeito que será eleito em novembro não será perfeito, mas deverá apresentar características essenciais para agradar a maioria. Precisará ter aqueles princípios que a fada ensinou a Pinóquio. Quando o boneco recebeu o sopro da vida e questionou: Já sou um menino de verdade? A fada disse que ainda não. Para ser um menino de verdade, precisaria demonstrar honestidade, coragem e generosidade. Honestidade que permita discernir entre o certo e o errado. Coragem para superar desafios, enfrentar obstáculos e lutar para que o bem sempre vença. Generosidade para esquecer de si e pensar no todo. Marco Alba indicou um bom sucessor, mas existem outros bons candidatos. Nossas alternativas são melhores que as do Rio de Janeiro! Que o eleito seja um prefeito de verdade ao demonstrar honestidade, coragem e generosidade. Que seja capaz de montar uma equipe competente, ética e responsável. Prefeito e perfeito são duas palavras com as mesmas letras. Se conseguir entregar sua gestão melhor que recebeu, será quase perfeito.

Ter ou não ter

Guilherme Boulos, professor, bacharel em Filosofia, entregou a documentação para ser candidato a prefeito de São Paulo. Em sua declaração de bens, disse que não possuía nenhum bem. Vários concorrentes se apresentam dessa forma. Talvez acreditem, e estariam corretos em pensar assim, que o que importa é o que temos por dentro e não os bens externos. Aliás, segundo Cervantes, a riqueza não se mede pelos bens que se possui, mas sim pelo bem que se faz. Até a pandemia mostrou que precisamos de menos para sermos felizes. Acrescente-se a isso que, na política, é comum haver aqueles que se locupletam indevidamente. Portanto, não ter bens pode ser uma virtude, ou não. Uma pessoa adulta, que atuou profissionalmente por algum tempo, deveria no mínimo ter tido condições de registrar algum bem em seu nome. Vejo como positivo aquele candidato que, honestamente, fruto de sua capacidade e de seu trabalho, conseguiu ter bens e recursos que correspondem à sua atuação. Obviamente, não é o fato de ser rico que vai demonstrar que um candidato é bom, porque ter dinheiro não torna alguém melhor do que outro. Adam Smith disse que a riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes. Apenas me preocupa que alguém que não conseguiu, ao longo de sua vida, conquistar nem um bem material, de uma hora para outra venha a ter a responsabilidade de administrar os bens de todos. Nesse caso, não ter nada, para um prefeito perfeito, não é obrigatoriamente sinônimo de virtude.

*Texto de autoria do doutor em Educação e diretor regional do Senac/Sesc José Paulo da Rosa. Coluna da Evidência de outubro.