Foto: Lucas Gomes

O processo de adolescer é um momento muito especial, de desenvolvimento, no qual o adolescente está imerso em um mundo repleto de transformações, intensidade e ação. É preciso acolher suas ansiedades, compreendê-las e, na medida do possível, traduzi-las.

A adolescência é caracterizada por alternâncias de movimentos progressivos e regressivos na busca da construção da identidade. É a passagem de um status infantil para adulto. É uma experiência singular e complexa, que não pode ser normatizada, pois cada um reage a essas transformações físicas e psíquicas de uma forma. Nessa fase, predominam as dúvidas, as incertezas, os sofrimentos, mas essencialmente, a capacidade de transformação.

Para os pais, por vezes, é difícil entender os filhos, pois há milhões de coisas acontecendo no corpo e na mente dos adolescentes, e muitas delas nem eles sabem identificar, têm medo de contar ou não sabem como dizer aos pais. É um período de grande tormenta e tensão, em função de os adolescentes terem que se adaptar ao corpo em transformação e às iminentes demandas da idade adulta.

Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência é um período evolutivo entre 12 a 18 anos. Todavia, atualmente, não é uma tarefa fácil precisar quando inicia e termina essa fase da vida. Embora o início esteja vinculado às primeiras manifestações da puberdade, o encerramento é complexo, caracterizando-se pela dissolução da problemática adolescente. O que se observa hoje é um prolongamento da adolescência; eles têm acesso às atividades sexuais e ao conhecimento, mas, no plano material e afetivo, permanecem dependentes dos pais.

O aumento das exigências para inserção no mundo adulto, especialmente na esfera profissional, bem como a fragilidade dos vínculos afetivos, que promove um retardo na constituição de uma nova família, são as principais causas para esse prolongamento.

O relacionamento com os pais continua sendo uma importante fonte de segurança e referência ao adolescente. Apesar de ser um momento no qual os pais deixam de ser “os heróis que sabem tudo”, como eram na infância, precisam muito da compreensão, do olhar e do limite dos pais.

Caso o adolescente esteja com muita dificuldade de passar por esse processo, ou, da mesma forma, os pais não estão conseguindo compreender o filho, busque ajuda de um especialista.

Dicas de ouro para os pais:

  • Se tratarmos os filhos com respeito, é recíproco. Se tratarmos com autoritarismo, não espere respeito em troca, talvez medo.
  • Alguns pais acham que seu papel é criticar e corrigir constantemente. Não! Fique atento a tudo, valorize os comportamentos positivos! Adolescentes precisam da aprovação de seus iguais, mas também dos pais. Querem deixar os pais orgulhosos com a personalidade que estão formando!
  • Eles crescem e precisam de liberdade para testar sua autonomia e dependência (com limites previamente definidos). Não adianta querer preservá-los de momentos que “já passamos” e achar que entendemos tudo o que eles estão sentindo. É o momento de eles se experimentarem, e nos cabe respeitar e apoiar.
  • Esses limites são necessários e apropriados para que eles sintam-se seguros. Porém, é possível que tentem desafiar esses limites, pois estão testando sua autonomia, seu desprendimento da dependência dos pais. É necessário sermos firmes e, com diálogo respeitoso, explicar os motivos do não!
  • Eles se sentem maduros para fazerem suas escolhas e não darem satisfação, mas precisam. Ou seja, os pais precisam acompanhá-los, não invadi-los. Precisamos deixar um canal de diálogo, de interesse genuíno pela vida deles, não apenas para saber o que fazem e querer controlar.
  • A adolescência é uma fase de muitas provações e cobranças internas e externas/sociais. Não precisa os pais cobrarem ainda mais, pressionando. A cobrança é cansativa para pais e filhos. Tentar um equilíbrio, um processo colaborativo e de desenvolvimento.
  • O mesmo com as expectativas dos pais: deixe seu filho ser ele mesmo! E fazer suas escolhas! Oriente para as melhores e mais saudáveis decisões, mas não o encarregue de fazer aquilo que você gostaria.
  • Confie no seu filho, dê liberdade aos poucos, ganhe a confiança dele e a receba como consequência. É possível permitir que pose no amigo, mas não sem antes conversar com os pais do mesmo. Mas demonstrando preocupação e cuidado com essa atitude, não desconfiança e controle. Deixe-o ir à festa, mas leve-o e busque-o. Observe como volta, se bebeu demais, indício de uso de drogas. Aproveite a oportunidade para conversar e participar da vida do seu filho.
  • Evite dar sermões muito frequentes, pois essa cobrança faz com que eles mintam, evitem o confronto. Não confiam no discernimento dos pais em entenderem, por exemplo, que ele bebeu demais, ou está sofrendo por uma garota. Faça, portanto, com que os momentos em que você está junto com ele sejam em clima de confiança, acolhimento e encorajamento.
  • Não coloque o adolescente em situações de constrangimento. Lembre-se de que ele está criando a própria identidade. Respeite a forma como ele faz isso. Respeite seus momentos de intimidade, de inserção sexual e social. Esteja aberto ao diálogo produtivo.
  • Respeite o espaço dele com os amigos. É muito importante para ele. Aprenda a lidar com as coisas que eles contam dos amigos, para que não seja perdida a confiança depositada ao contar um segredo ou um sentimento importante.
  • Se estiver sensível ou mal-humorado, pode ser algo além de hormônios ou rebeldia. Busque entender a vida do seu filho! Tenha empatia e compaixão!

*Artigo da psicóloga Lisiana Saltiel. Texto é destaque na Revista Evidência de outubro.