Foto: João Alves

São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração. Passado um ano do início da pandemia, aproveito a música de Elis Regina e a chegada de março para trazer um pouco de otimismo. Com a entrada da vacina, renovou-se a esperança. Neste momento, pelo menos os idosos já estão vacinados. Foram doze meses muito diferentes, que permitiram uma série de aprendizados. Um deles foi o de que a tecnologia ajuda muito a resolver questões a distância, que antes somente eram tratadas de forma presencial. Nos anos anteriores, muitas vezes viajei a São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades para participar de reuniões rápidas, mas que exigiam um investimento enorme. Essas mesmas reuniões passaram a ocorrer online e não perderam em nada na sua qualidade. Esse é apenas um exemplo do ganho em custo e tempo que obtivemos, embora muitos até agora não tenham aprendido a ligar o microfone para falar na reunião virtual. Outro avanço aconteceu na valorização das relações familiares. Houve aumento no número de divórcios, mas entendo que se é para acontecer, que aconteça, e que ambos sejam felizes num outro relacionamento, de modo que talvez também isso tenha sido positivo com a pandemia. Em geral, as pessoas reforçaram o afeto e despertaram para a importância do vínculo com marido, esposa, pais, filhos, irmãos. Isso é importante porque é no seio familiar que a educação acontece. A escola é essencial, mas é da família a responsabilidade na condução das crianças e no exemplo que será seguido. Assim, se a pandemia permitiu o reforço dessas relações, que bom. É pau, é pedra e muitas vidas levadas pela pandemia, mas as águas de março permitirão renovar e valorizar as coisas boas que restaram dessa enchente.

Alô, Alô Marciano

Elis Regina também encantou com a música do título. Aqui quem fala é da terra, pra variar estamos em guerra, você não imagina a loucura, o ser humano tá na maior fissura porque tá cada vez mais down in the high Society. Em fevereiro a sonda Perseverance, da Nasa, pousou em Marte. Além dela, outras missões para o planeta vermelho estão em andamento, como a Hope, dos Emirados Árabes Unidos, e a chinesa Tianwen-1. A conversa da música poderá acontecer, esclarecendo que a guerra que enfrentamos é aquela decorrente das incompetências da high society nacional. Bem que as águas de março poderiam também levar com ela a postura negativa dos membros do STF, a descompostura dos integrantes do legislativo brasileiro e a incompetência do executivo. Elon Musk, criador da Space X, tem a intenção de nos levar a Marte. Talvez possamos fazer isso em breve. Alguns defendem que nosso futuro será longe da Terra. Entendo que, enquanto estamos aqui, precisamos melhorar o que temos. A democracia ainda é a melhor alternativa, mas necessitamos aperfeiçoar a educação e, a partir daí, qualificar a representação política. Todavia, nossas lideranças poderiam ajudar um pouco nessa caminhada. A crise tá virando zona, cada um por si todo mundo na lona. Assim como tivemos coisas positivas com a pandemia, nos resta aprender com os erros cometidos e acertar mais nas próximas eleições. Passadas as águas de março, temos a promessa de vida em nosso coração, aqui na terra. Que seja uma vida plena, com escolhas corretas, e que seja feliz para toda a sociedade! Entendeu, marciano, ou precisa desenhar?

*Texto de José Paulo da Rosa, administrador, doutor em Educação, diretor do Senac-RS e Sesc-RS. Artigo publicado na Evidência deste mês.