Foto: João Alves

No período inicial da pandemia, quando não havia jogos de futebol, os canais esportivos passaram a exibir partidas do passado. Reprisavam somente nossas vitórias. As conquistas da Seleção Brasileira, bem como os principais êxitos de nossos times. E as derrotas? Raramente apresentadas. Parece publicação de rede social, onde todos estão sempre felizes, aproveitando os melhores lugares, companhias maravilhosas e comidas espetaculares. Esse comportamento é compreensível. Joãozinho Trinta já dizia que o povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual. Seguindo essa lógica, é possível entender os candidatos que prometem maravilhas, incluindo projetos que sabidamente não terão condição de serem implementados. É claro que o ideal seria a apresentação de propostas factíveis, mas quem está a fim de enfrentar a realidade? A ilusão parece ser a alternativa. Tirando os exageros que são cometidos, acredito que os candidatos podem apresentar propostas desafiadoras. Aliás, esse é o papel das lideranças que fazem a diferença. Juscelino Kubitschek construiu Brasília e John Kennedy criou as condições para que o homem fosse à lua. Na iniciativa privada, Bill Gates, Steve Jobs, Elon Musk, Santos Dumont, Jorge Paulo Leman, Raul Randon e tantos outros, são protagonistas de inovações e empreendedorismo, necessários para o desenvolvimento da sociedade. Lideranças precisam enxergar mais à frente, desafiar a realidade, pensar diferente, buscar soluções inovadoras e desenvolver estratégias para que suas propostas se tornem realidade. O homem de Neandertal desapareceu, mas seus genes ainda estão por aí, conduzindo homens e mulheres da caverna que não evoluíram (mas que se apresentam como candidatos) o que nos obriga a descobrir gente inovadora de verdade, independente da imagem de seus marqueteiros. É difícil encontrar essa liderança, com capacidade para conduzir as cidades ao infinito e além, mas ela existe.

Tempo das Cavernas

As campanhas são conduzidas pelos chamados marqueteiros. Alguns deles inventam imagens maravilhosas, que iludem o eleitor, mas completamente apartadas da competência do candidato. Lembro da campanha de Dilma para seu segundo mandato. O slogan escolhido foi Pátria Educadora. Ficou legal. O problema é que em nenhum momento o Ministério da Educação foi consultado para pensar nas estratégias necessárias. Ou seja, um slogan bonito, totalmente deslocado da realidade. Tanto que, ainda hoje, os indicadores de qualidade da educação nacional são muito ruins. Culpa da Dilma e de todos os governos e seus slogans. Assim, caro eleitor, observe as campanhas, mas estude as propostas dos candidatos e verifique o perfil, a história e a capacidade de fazer a diferença. Em alguns momentos, é necessária uma liderança que coloque a casa em ordem, mas é importante termos à frente de nossas instituições lideranças capazes de construir um futuro melhor, com iniciativas diferenciadas. Uma cidade que nos encha de orgulho exige novas estradas, espaços públicos modernos, novos caminhos, estruturas sustentáveis, projetos inovadores. Porque, se não tivermos esse nível de representação, ficaremos para trás. Lideranças com capacidade superior nos encaminham para o infinito e além. População que elege lideranças retrógradas, desonestas, ou incompetentes, permanece no tempo das cavernas.

*Artigo de José Paulo da Rosa, administrador, doutor em Educação, diretor do Senac-RS e Sesc-RS. Texto publicado na Revista Evidência de novembro.