Divulgação/Senac-RS

*Texto de autoria do diretor do Senac-RS, José Paulo da Rosa.

Havia um programa na extinta TVCOM chamado Conversas Cruzadas. Por um bom período, foi conduzido por Lasier Martins. Procurava discutir algum tema, ouvindo diferentes perspectivas. A situação que quero relatar aconteceu com um economista amigo meu, que participou do programa tendo como debatedor um representante do governo estadual, à época do governador Olívio Dutra. Em duas ocasiões, quando meu amigo defendia determinado ponto, o antagonista interrompeu, enfurecido, esbravejando: Essa é a tua opinião! O economista parou com sua argumentação e disse: Vamos esclarecer o seguinte, Lasier e telespectadores, sempre que eu falar alguma coisa aqui e não explicitar que foi dita por outra pessoa, fica convencionado que essa é obviamente a minha opinião, de modo que não há necessidade de que isso seja ressaltado. Lembrei desse fato ao observar a cobertura que a imprensa fez e faz sobre o coronavírus, assim como quando assume posição sobre outros assuntos. Sempre entendi que os meios de comunicação deveriam pautar sua atuação com informação precisa, honesta e imparcial. É claro que todos que participam e emitem sua opinião devem ter sua posição, inclusive a editoria do meio de comunicação, mas isso tem que ficar explícito: o que é posição editorial e o que é informação isenta. Os comentaristas devem ser convidados a manifestar sua opinião e o ideal para o público é que tenham visões diferentes. Ocorre que estamos convivendo com grandes redes de comunicação (e também pequenas) que assumem um lado e toda sua informação fica viciada para esse lado, tendenciosa, com visão única. A imprensa cumpre papel fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Precisa ser fortalecida, estimulada e respeitada. Especialmente num momento em que a tecnologia traz enormes desafios, sobretudo para os jornais impressos, que precisam se reinventar. Entretanto é necessário que os jornalistas e todos que atuam nesse meio compreendam a importância de manter essa informação precisa, honesta e imparcial (principalmente, em tempo de fake news), como forma de que os meios de comunicação permaneçam firmes e relevantes. Essa é a minha opinião.

Nova Educação

A educação a distância virou realidade. Mesmo aqueles que defendiam apenas educação presencial se viram obrigados a aceitar o uso da tecnologia para manter alunos e professores em atividade. E todos ousaram se reinventar. A educação nunca mais será a mesma. Professores tiveram que desenvolver metodologias diferentes e alunos precisaram se adaptar, usando novas tecnologias e formas de interação. Com as facilidades de comunicação e informações disponíveis, não se justifica, especialmente a partir das séries finais do ensino fundamental, que estudantes gastem tempo e dinheiro se deslocando até instituições de ensino, quando praticamente tudo pode ser feito nos meios digitais. Alguns momentos exigem o encontro presencial, assim o hibridismo, a junção da distância com o presencial, será realidade nas escolas. Momentos de crise nos oportunizam inovar. Esse é apenas um dos bons resultados do confinamento. E espero que pessoas com melhor educação tenham condições de emitir sua opinião e conviver com opiniões contrárias. Desse modo, surge o conhecimento e a sabedoria.