Foto: João Alves

Sempre lembro da Amazon quando vou a um estabelecimento comercial, especialmente supermercado, e preciso ficar aguardando na fila para pagar as mercadorias. Por vezes, aguardando muito, em longas filas. Ou quando vou a um restaurante e o processo de pagamento da conta, no final, é demorado. Na loja conceito da Amazon, nos EUA, o cliente entra no estabelecimento, pega o que quer e vai embora. Ao cadastrar-se, seus dados são captados e a mercadoria levada é cobrada automaticamente da conta indicada no cadastramento. Simples assim. Saber usar a tecnologia para nos beneficiar é o nosso desafio. A era do compartilhamento surgiu por conta disso. Uber revolucionou o transporte. Airbnb alterou o modo de se hospedar. E muitos outros surgiram. Podemos compartilhar veículos, imóveis, viagens, espaços de trabalho, ferramentas, projetos e assim por diante. Só que não. Surge o coronavírus e obriga ao descompartilhamento. Não podemos nem apertar as mãos. Precisamos aprender a viver separados, sem aglomeração, algumas vezes confinados em casa, de modo a evitar a contaminação pelo vírus. No caso de uma pandemia, como essa que estamos vivendo, é necessário que a população faça a sua parte e ajude na prevenção e controle, especialmente seguindo os procedimentos indicados. Teremos um impacto na economia, mas a saúde sempre é mais importante. Em breve, vamos superar esse momento e novamente iremos priorizar a inovação, aprendendo com as novas tecnologias. Espero que o período confinado ajude a pensar em formas melhores de conviver e trabalhar, incluindo coisas simples, como aquelas implementadas pela Amazon. Alguma coisa boa precisa sair desse confinamento.

Educare Vírus

O primeiro Grenal da Libertadores acabou em confusão. Já presenciei muitas brigas nos campos do Bagé, do Vila Branca, do Rodoviário. Inclusive, larguei minha carreira de jogador de futebol na várzea gravataiense num jogo em que o lateral que me marcava atendia pela alcunha de Revólver. Foi uma partida tensa, que me fez pensar se valia a pena estar naquele cenário. Parei, o que foi bom para o mundo futebolístico e para mim. Segui minha carreira estudando e cada vez mais observo que uma sociedade melhor somente será possível com mais educação. O surgimento da loja da Amazon decorre de educação, inovação e tecnologia. Coisas boas, modernas, em ambientes de confiança, surgem nesse contexto. Há quem elogie o comportamento dos jogadores briguentos e valorize a disputa e a postura corajosa, o enfrentamento. É óbvio que um time vitorioso decorre de atletas fortes e vigorosos, mas a força não deve estar atrelada à violência. Observamos juízes que se impõem aos jogadores com rispidez e postura de macho, quando o que é necessário é competência, firmeza e educação. Treinadores ficam à beira do campo xingando e dando mau exemplo nas entrevistas, quando deveriam manter uma postura ética e sensata em todos os momentos. Nesse ambiente, torcida e jogadores sentem-se à vontade para praticar a violência. No futebol, na política, na sociedade, o vírus da educação deveria contaminar geral, alterando o comportamento da maioria – de jogadores a Presidente. Educare Vírus. Com ele, teríamos pessoas educadas e poderíamos mudar o jogo, melhorando a realidade do país.

*Artigo da Evidência de abril, escrito pelo diretor regional do Senac-RS, José Paulo da Rosa.