Antes e depois: Paulo Adriane e Glau Barros relembraram a capa que fizeram juntos. Imagens: Reprodução

Hoje, publicamos mais duas matérias da série Especial 35 anos – Capas da Evidência. O conteúdo faz parte da edição de novembro:

Um defensor da cultura

Entre tantos artistas talentosos de Gravataí, Paulo Adriane dos Santos (51) é um dos que participou de mais edições da Evidência. Foi capa em quatro ocasiões e, muitas vezes, compartilhou com nossos leitores detalhes dos espetáculos nos quais atuou e dirigiu. Atualmente, além de atuar, gerencia o Núcleo de Entretenimento e Recreação do Acqualokos Parque Hotel, localizado em Capão da Canoa, e a Cia. de Atores Independentes de Gravataí. Ele e a amiga e igualmente talentosa Glanilci Barros de Souza, a Glau, estamparam a capa da 61ª edição, em agosto de 2003. “Aquela matéria me tocou muito. Foi e continua sendo inspiradora”, comenta o ator, lamentando que o Cine-Teatro Municipal, cenário escolhido para a foto na época, fechou e deixou de “proporcionar a artistas e cidadãos, trabalho, entretenimento e dignidade”.

Daquela edição até agora, foram muitas as mudanças na vida do filho caçula de Lindaura Setembrina dos Santos (77). “Mudamos todos os dias. Amanhã seremos diferentes de hoje. Amadureci, trabalhei muito, me desafiei pessoalmente e profissionalmente, vivi momentos de êxtase, de muitas alegrias e também de tristezas e algumas decepções.” A certeza de ter nascido para fazer arte, no entanto, sempre foi a mesma. Para Paulo Adriane, a cultura é uma causa e, mais do que isso, uma das bases para a qualidade de vida das pessoas. E, por essa razão, merece ser valorizada. “Mergulhe na arte e no amor. Só eles nutrem nossas almas.” Agir com consciência é a recomendação para aqueles que querem um lugar melhor. “Parafraseando um poeta, ‘fé na vida, fé no homem, fé no que virá’. Mas lembrando o que Jesus disse: ‘orai e vigiai’. Não adianta só orar. Você é responsável por seus atos, portanto, pense no amanhã”, diz.

Ser artista é também lutar por um ideal

Momentos especiais da trajetória da cantora e atriz Glau Barros (49) foram apresentados na Revista Evidência. Foram quatro participações em capas, sendo a mais recente a edição de agosto de 2017, quando a artista produzia o primeiro álbum, Brasil Quilombo. A primeira foi a capa ao lado de Paulo Adriane. “Foi uma grande alegria. Quando recebi o convite, foi incrível.” Naquela época, ela já se dedicava à música, mas estava iniciando a caminhada como atriz. “Conheci e convivi com profissionais talentosos e supergenerosos, além de atuar em trabalhos incríveis”, comenta, acrescentado que teve a oportunidade de realizar sonhos e aprender muito.

Devido à pandemia, a gravataiense tem realizado lives musicais e de entrevistas, além de gravar uma web série. A saudade dos palcos é grande e faz a cantora refletir sobre os rumos da cultura.  “A matéria de 2003 cita o momento de efervescência cultural que havia na cidade. Tínhamos um teatro municipal, associações atuantes e um coletivo de artistas mostrando sua arte e incentivando novos talentos. Infelizmente, nos últimos anos perdemos muito neste setor. Pouco é investido e eu mesma tenho conseguido me manter em atividade por projetos e apresentações fora da cidade. Espero que futuramente tenhamos, nas esferas de poder político, pessoas que valorizem a arte, a cultura e a educação.” Sempre apoiada pelas filhas, Maria Luiza (16) e Cecília (9), e pelo namorado, Celso Dias (61), Glau destaca que a falta de investimento nesses segmentos torna urgente a compreensão acerca do papel dos artistas. “Nestes tempos sombrios, a arte vem nos salvando, levando às pessoas leveza, sensibilidade, informação.”