O secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, determinou ontem à tarde o afastamento dos delegados Leonel Fagundes Carivali – titular da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM) – e Roland Short – titular da 2ª Delegacia de Polícia (DP) de Gravataí – do caso que investiga a ação de um estouro de cativeiro, que acabou com a morte de um refém, em Gravataí, na quarta-feira (21/12). A partir de agora, as investigações ficam sob a presidência do delegado Paulo Grillo, da Delegacia de Feitos Especiais, da Corregedoria de Polícia (Cogepol), que tem 30 dias para a conclusão. O promotor Diego de Vilas acompanhará o inquérito da Polícia Civil. No local do cativeiro, foram apreendidas três armas: dois revólveres, de fabricação argentina, calibre 38, e um Rossi, calibre 22.

O subprocurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, afirmou que o pedido do MP se baseava na máxima de que "quem está envolvido nos fatos não pode conduzir a investigação sobre estes". Além disso, o MP e a Cogepol também investigam se ocorreu prevaricação no caso da liberação dos policiais civis paranaenses. Eles foram liberados logo depois de terem matado o brigadiano. Os três suspeitos estão presos em Curitiba e devem se apresentar à Cogepol gaúcha até segunda-feira (26/12).

Grillo ressaltou que ainda não recebeu todos os inquéritos e que será dada prioridade à perícia. Disse que a ação foi lamentável, na medida em que um refém morreu, e garantiu que a apuração será "feita com rigor e sem corporativismo". "É difícil comentar a ação, pois em uma fração de segundos o policial tem de decidir o que fazer", disse. "E os sequestradores teriam saído no carro e teriam apontado as armas."

De acordo com o promotor, Leonel Carivali admitiu em seu depoimento ter efetuado dois disparos, após ter escutado o som de dois tiros. Os outros envolvidos negaram ter atirado. Policiais civis daqui e do Paraná, à tarde, estariam procurando o cativeiro. Populares ligaram para a BM denunciando que homens, armados, estariam na Rua Dr. Luiz Bastos do Prado (eram os paranaenses). Os PMs foram ao local. "O delegado paranaense Danilo Crispim, em seu depoimento, disse que foi abordado pelos PMs", relatou Dornelles. "Ele se identificou e, então, ficou sabendo que o cativeiro fora encontrado pelos gaúchos."

Fonte: Correio do Povo

Créditos Destaque: Vinícius Roratto