Os cuidados de Marcela tornaram a gata Lucy mais sociável. Foto: Arquivo Pessoal

Atualmente, eles são gatinhos amáveis e carinhosos, mas no passado pareciam feras! O que fez com que mudassem o comportamento? A resposta é simples: carinho, amor, cuidado, respeito e atenção. Assim como muitos cães aguardam a oportunidade de ganhar um lar, há diversos gatos à espera de um adotante responsável. Alguns bichinhos, resgatados em Gravataí, receberam essa chance. Nesta edição, apresentamos histórias de alguns deles.

O amor muda tudo!

Quando Bárbara Souza (38) veio morar em Gravataí, esporadicamente, uma gata preta aparecia no sítio. “Comecei a colocar comidinha no telhado, depois comprei ração e coloquei na janela. Quando dei por conta ela tinha o lugar reservado no sofá. A Miau, como chamávamos, era arisca, brava, não gostava de carinho. Confesso que tínhamos um certo medo dessa felina, mas entendíamos que ela estava sempre na defensiva. Não conhecíamos a história e as memórias da moça, então a respeitávamos muito. Um dia, como de costume, a chamei na janela e sacodi o potinho de ração. Ela não apareceu. Repeti esse chamado por muitos dias, mas ela nunca mais apareceu. Toda nossa família sentiu muito, porque, apesar de ela ser bem arisca e brava, já fazia parte da rotina da casa e tinha o carinho de todos.”

Bárbara e o gatinho Mico, que conquistou toda a família! Foto: Arquivo Pessoal

Apesar de gostar muito de animais, Bárbara era um pouco resistente aos gatos, pois pensava que o jeito independente deles fazia com que não fossem carinhosos ou brincalhões. Mas um felino de pelo alaranjado chamado Lord surgiu no caminho para mostrar que estava errada. Ela havia levado um dos seis cachorros ao veterinário quando viu na Evidência a página de bichinhos à espera de um lar. O gatinho “alemão” chamou sua atenção, então enviou uma foto ao esposo, Cristiano Reis, e pediu que ele entrasse em contato com a tutora, Cynthia Barcelos. A possibilidade de adoção pareceu distante no primeiro contato. Foi explicado a eles que o animal era pouco sociável, arisco e talvez não se adaptasse com outros bichos na casa. A família providenciou logo telas nas janelas, uma das recomendações para quem fosse adotar, e seguiu no propósito. Quando Bárbara o encontrou pela primeira vez, se apaixonou! Comprometeu-se a cuidar muito bem do gato e, finalmente, o levou para o novo lar.

Nos primeiros dias na residência, Mico, como é chamado agora, ficou apreensivo. Passou um tempo dentro do guarda-roupa. Mas o casal e as filhas, Isadora e Mahina, respeitaram o tempo dele. Também falaram para os cachorros que um novo integrante havia entrado para a família. “Aos poucos, ele foi se sentindo seguro, começou a passear pela casa, impôs suas condições felinas aos cães, que aceitaram também, com muita conversa, carinho e paciência. A adaptação completa levou aproximadamente dois meses”, revela a adotante. Aquele felino arisco, hoje em dia é carinhoso e brincalhão e ganhou a maninha Escaminha, com a qual divide as tigelinhas de comida e os brinquedos, além da atenção de todos. Segundo a tutora dos pets, os animais ensinam aos humanos o que realmente importa. É por isso que a adoção representa para eles uma mudança de vida – e para melhor, claro!

A mudança de Lucy

“Vejo eles como meus filhos, meus companheiros. É um amor puro, verdadeiro, incondicional. Eu mudei a vida deles, e eles a minha.” É dessa forma que Marcela de Oliveira Flores (30) fala dos quatro gatinhos adotados. A favor da prisão e penas mais duras para quem maltrata animais, a estudante é um desses exemplos de que adotar um bichinho muda a vida de ambos. Sua última adoção foi a mais difícil, não o processo em si, mas a adaptação da gata Lucy, que era extremamente arisca. A felina chegou ao lar em fevereiro de 2019 e demorou a se acostumar com o contato com humanos. “Durante semanas, ela se escondia embaixo da minha mesa do computador e grunhia pra nós. Com o tempo, ela se tornou uma gata amorosa e mais calma. Agora se dá bem com os irmãos, em particular com o mais velho, Myu. Estão sempre juntos!” A mudança de Lucy é reflexo de todo o afeto e cuidado que recebe da família. Hoje em dia, ela é calma, meiga, dengosa e adora receber carinho na barriga.

*Estas matérias são destaque na edição de abril da Evidência.