Sinfra é DJ na Boate Gruta Azul. Foto: Arquivo Pessoal

Dificilmente alguém lhe dirá que não gosta de música. Normalmente, temos nossas canções prediletas. Algumas, inclusive, fazem parte de momentos especiais de nossa vida. As músicas também são elementos essenciais em qualquer festa. É justamente isso que torna o trabalho de um DJ desafiador. O gravataiense Ivan Martins Rodrigues, conhecido como Sinfra, descobriu sua vocação para a carreira, nos anos 80. Desde então vem aprimorando conhecimentos e se reinventando, porque a profissão que escolheu exige isso, é dinâmica e requer muita dedicação e preparo. “Sempre afirmo: dizer que qualquer um pode ser DJ é o mesmo que falar que qualquer pessoa que saiba dirigir pode ser um piloto de Fórmula 1.”

Atualmente, Sinfra reside em Porto Alegre, mas não esquece sua amada Gravataí. Revela manter carinho especial pelo município, onde nasceu e participou ativamente de eventos sociais e campanhas eleitorais. Aqui também vivem alguns familiares, que procura visitar sempre que pode. Há mais de 15 anos, ele é o DJ residente da Boate Gruta Azul, uma das mais famosas casas noturnas da capital gaúcha. Do tempo na Aldeia, recorda com saudade das incontáveis festas comunitárias, casamentos, aniversários e eventos que participou nos clubes Paladino, Alvi-Rubro, Cerâmica e Seis de Maio. Antes de trabalhar com música, se dedicou a outro ofício. “Fui mecânico na oficina do Seu Tuza, que mais tarde veio a ser o Restaurante Vila Velha. Também fui mecânico na Gravel, no Parque dos Anjos”, relembra. Trabalhando no Vila Velha, a convite dos amigos Geraldo Fonseca e Marlene Oliveira e dos proprietários Neuza Vicentini e Ronaldo Gomes, descobriu a paixão pela música. “Ali nasceu o Grupo Geratião, com o Geraldo e o Roberto Costa”, conta.

Com os amigos, Ivan rodou a Região Metropolitana, tocando em diversos eventos. Nessa trajetória, conheceu Luiz Henrique Saltiel, o Ike. “Grande mestre do Top Stéreo, da Discotheque Zum-Zum. Era o auge da Disco Music. Vi nascer a Revista Evidência, um marco da comunicação para aquela época e que segue nos dias atuais”, salienta. Entre a década de 80 e 90, o gravataiense também levou o karaokê a bares e restaurantes, incluindo estabelecimentos do litoral e o antigo Hotel Itapirubá, situado em Laguna, Santa Catarina. Por causa do trabalho como DJ, se acostumou a trocar o dia pela noite, mas isso sem deixar de cuidar com muito carinho dos bichinhos de estimação, dois gatos e dois cachorros.

Na rotina de trabalho, Sinfra destaca que é importante não ter medo de errar, pois isso pode ser meio caminho para o fracasso. “Se você não erra, provavelmente não está aprendendo nada. É melhor sair da zona de segurança e correr riscos. Ao aprender, verá que valeu a pena!” Para ele, não há uma fórmula certa para o sucesso, mas o DJ deve se inspirar no momento. “Quando os frequentadores dos clubes chegam, no início da noite, podem se deparar com uma festa não tão agitada quanto no meio noite e pensar que o DJ não está mandando bem ou que o som está chato. Mas o trabalho do DJ é criar o clima, tocar as músicas certas nos momentos oportunos, de forma sutil”, explica. “O conceito de chato e animado é bem abstrato nesse caso. Para cada estilo de festa, o som do início da noite precisa seguir uma linha para não fugir do conceito daquele clube”, completa.

*Matéria publicada na edição de novembro da Evidência.