Foto: Reprodução do Facebook
Foto: Joel Vargas/ALRS

Após as Eleições Municipais de 2020, Gravataí ganhou uma representante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (AL-RS). Patrícia Bazotti Alba, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), assumiu uma cadeira como deputada estadual após Sebastião Melo se eleger para a Prefeitura de Porto Alegre e Fábio Branco para Rio Grande. Ela, que ficou como segunda suplente depois de conquistar 33.390 votos no pleito de 2018, é a décima mulher da atual legislatura. Patrícia é casada com o ex-prefeito Marco Alba, que também representou a cidade na AL pelo partido, e preside o MDB Mulher do Estado e é vice-presidente nacional, defendendo, desde o início da sua trajetória profissional, a participação feminina na política.

Na opinião da deputada, é importante que cada vez mais a população feminina participe do processo político. Frisa que, das 55 cadeiras da Assembleia, apenas 10 são ocupadas por mulheres, atualmente. Acredita que o ideal seria 50% e que isso contribuiria para uma sociedade mais justa e equilibrada. Ao assumir a vaga, a porto-alegrense, que reside em Gravataí desde o casamento, se comprometeu a continuar defendendo essa bandeira, assim como estreitar a relação entre Município e Estado. Afirma que o trabalho será de muito diálogo daqui para frente. “Servirei ao povo de Gravataí como representante na articulação com o Governo do Estado. Relembro o caso do Mercado Livre. Esse é um assunto de alta importância para nossa cidade, que poderia ter sido diferente caso tivéssemos um representante direto de Gravataí. Logicamente, atuarei em defesa dos interesses do povo gaúcho como um todo, obedecendo à Constituição do Rio Grande durante meu mandato, e isto é algo que me honra imensamente. Amo esse estado e continuarei demonstrando esse amor com as minhas ações na Assembleia.” Patrícia foi empossada pelo presidente da AL-RS, Ernani Polo (PP), no dia nove de dezembro.

A parlamentar

Foto: Joel Vargas/ALRS

A mãe de dois lindos meninos, Lorenzo (18) e Vitor (17), hoje com 45 anos, estudou o Ensino Fundamental e Médio no Colégio Dom Feliciano, e formou-se em Direito pela Ulbra Gravataí. Como advogada, é atuante na área de Direito Eleitoral. No período como primeira dama de Gravataí, esteve à frente de diversos projetos, como a Campanha do Agasalho, Bebê Saúde e as atividades do Outubro Rosa. No início da pandemia, comandou o Comitê de Solidariedade ao Enfrentamento do Coronavírus em conjunto com Luiz Zaffalon.

Patrícia aponta que sua trajetória na Política iniciou há aproximadamente 25 anos, quando decidiu cursar Direito. “De lá para cá, atuei intensamente na área do Direito Eleitoral e decifrei o processo legislativo como um todo, adequando-o à Legislação e à Constituição, nas Câmaras de Vereadores de Gravataí, Porto Alegre, Canoas e na Procuradoria. Atualmente, há mais de um ano, sou presidente do MDB Mulher Rio Grande do Sul e vice-presidente do MDB Mulher em nível nacional. Optei por essa carreira porque sempre acreditei em uma política justa e igualitária, sem distinções de gênero ou classe. O que me move é a possibilidade de dar voz à comunidade e de representar seus interesses no governo.”

Primeiros passos na Assembleia

Neste começo de mandato, a gravataiense de coração tem procurado se atualizar do andamento dos processos da Assembleia Legislativa. Sua intenção é, também, visitar o estado para conhecer as demandas e apresentar, em breve, projetos. Mesmo antes de ocupar uma cadeira na Casa, como titular, já buscava ouvir a comunidade para se inteirar das necessidades. “Durante a campanha de 2018, junto à minha equipe, ouvi as demandas e apresentei minhas propostas. Diálogo, informação e vontade de colocar em prática políticas para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos foram os pilares do nosso trabalho. Na suplência, pude acompanhar de perto o trabalho feito pelo MDB, um partido grande com uma trajetória de mais de 54 anos, que, na Assembleia, conta com uma equipe capacitada e experiente, que sempre busca aprender mais sobre a nossa gente para a implementação de leis.”

Foto: Paulo Oliveira

Incentivo às mulheres na política

Em 2019, após tomar posse no MDB Mulher, a advogada passou a se dedicar à busca de maior participação feminina na política e a auxiliar as mulheres que estavam decididas a concorrer. Destaca que o partido trabalha há muito tempo com o intuito de que as mulheres ocupem seu merecido espaço. Palestras, debates e capacitações foram promovidas por meio do projeto Conexão Mulher. Na pandemia, a assistência continuou, porém a programação foi online. E as ações surtiram efeito. “O partido foi o que mais elegeu mulheres para comandar o executivo no Rio Grande do Sul: foram nove prefeitas e dez vice-prefeitas eleitas. Além disso, alcançamos a meta do MDB Mulher-RS, ampliando em 20% a representação feminina nas Câmaras Municipais.”

Apesar de o cenário ainda não ser o ideal, a parlamentar comemora que a presença das mulheres no processo político seja crescente. “Sem dúvidas, há um aumento significativo da participação feminina na política, o que tem como importante reflexo a união de mulheres que buscam um mesmo objetivo: a maior representatividade e a defesa de nossos interesses. Somos mais da metade da população brasileira e é muito importante termos voz nas decisões do governo, seja em escala municipal, estadual ou federal.” Somente o MDB Mulher teve a participação de 1.700 candidatas no pleito de 2020. “Isso é resultado da conscientização feminina de que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive atuando no Poder Público, em cargos de tomada de decisões, que determinam o futuro dos brasileiros. A sociedade precisa ter em mente que somos capacitadas e visamos a uma política mais plural, que represente homens e mulheres de forma igualitária”, afirma.

O preconceito de gênero é o principal motivo pelo afastamento das mulheres do cenário político. A constatação foi feita em um estudo realizado pelo MDB Mulher-RS com a participação de 433 emedebistas de 126 cidades gaúchas. “Em segundo lugar, foi apontado o esforço para conciliar militância com as tarefas profissionais, domésticas e o cuidado com os filhos. Creio que só podemos mudar esse panorama a partir de uma educação regida pelos princípios de equidade, no qual o casal tenha participação equivalente em todas as tarefas.” Segundo Patrícia, questões como essas seguirão em pauta para que cada vez mais se busque a criação de políticas públicas de proteção à mulher, que lhe garantam oportunidades e segurança.

*Esta é a reportagem de capa da Revista Evidência de janeiro.