Padre Lucas. Foto: Magnus Régis

A descoberta de uma vocação, muitas vezes, acontece ainda na infância. Assim foi com Lucas Matheus Mendes (33), que é padre e professor. Quando criança, o filho de Marilu Maria Mendes (53) costumava assistir às missas na Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, no Centro. Observava a celebração e ficava imaginando como seria se ele estivesse no lugar do pároco. Em casa, gostava de brincar que realizava a cerimônia. O gosto não se perdeu quando mudou de residência e passou a frequentar a Paróquia Nossa Senhora das Graças, no bairro São Geraldo.

Após a mudança, Lucas ingressou na Escola Municipal de Ensino Fundamental Jerônimo Timóteo da Fonseca, na qual participou de atividades sociais de integração com a população, estimuladas pelo corpo docente. Ele recorda que passou a ter maior envolvimento com a comunidade e adquiriu o gosto pela política, por considerá-la uma ferramenta para ajudar a sociedade. “Sempre foi muito claro para mim que precisava fazer alguma coisa para mudar a vida das pessoas”, afirma. No ensino médio, o gravataiense foi estudar na Escola Mascarenhas de Moraes, em Cachoeirinha, onde fortaleceu a ligação com a política.

Em 2003, o plano de se tornar padre foi retomado e ele iniciou o acompanhamento vocacional no Seminário Menor São José. Nesta época, não se sentia apoiado pelos familiares. “Ninguém se opôs, mas também não houve incentivo”, lembra. Em 2005, começou a caminhada em Gravataí, indo depois para o Seminário de Viamão. Na trajetória, estudou bastante, tendo cursado Filosofia e Teologia. “Foi um período muito bonito da minha vida. Criado como filho único, no seminário, encontrei uma família, verdadeiros irmãos”, ressalta. Nesta fase, já contava com o apoio dos familiares. “Eles viram a minha felicidade e realização diante de uma decisão amadurecida. Ficaram alegres por mim e alguns até começaram a participar mais das missas”, relata.

No dia 22 de novembro de 2013, cerca de um ano após retornar ao Seminário de Gravataí, Lucas foi ordenado padre na Paróquia Nossa Senhora das Graças. Desde 2017, ele trabalha na Igreja Nossa Senhora das Dores, no Centro Histórico de Porto Alegre. Recentemente, concluiu o mestrado em Teologia. O padre é professor de Ensino Religioso do Instituto São Francisco de Cachoeirinha. Também exerce o cargo de diretor administrativo da unidade escolar situada em Gravataí, no bairro Castelo Branco. Conforme o educador, trabalhar com esta disciplina é desafiador e gratificante. Ele conta que os jovens são interessados pelo tema e seu objetivo, assim como no exercício do sacerdócio, é estimular a reflexão. “Minha maior missão é fazer com que as pessoas pensem sobre o sentido da vida.”

Na opinião do religioso, a empatia ainda é uma grande necessidade, mas a sociedade pode mudar. Ele aponta que os cristãos têm que se colocar no lugar do outro, além de “construir pontes, não muros”, como prega o Papa Francisco. O período natalino é uma ótima opção para pôr isso em prática. Padre Lucas destaca que o Natal representa o princípio da solidariedade, considerando que Deus enviou seu filho para se tornar a luz de um povo, que vivia nas trevas. “Lá no fundo, guardamos na memória que Deus amou e foi solidário conosco. Por isso, o Natal é a época que desperta mais vontade de ajudar”, diz. O sacerdote explica que não vê a referência ao Papai Noel e as festas como um problema, mas destaca que Jesus é o protagonista da data. Não deveríamos esquecer, portanto, do real sentido da ocasião.

*Matéria publicada na edição de dezembro da Revista Evidência.