Umbandista na Tenda Xangô da Mata no Reino de Oxóssi. Foto: Arquivo Pessoal

Normalmente, as pessoas têm uma religião com a qual se identificam, cujos rituais as fazem compreender melhor a vida e a ter fé na superação das dificuldades. A Umbanda representa este papel para a empregada doméstica e acadêmica de Educação Física Ana Paula Hanauer de Freitas (44). Ela afirma que a sua ligação com a doutrina parece vir de outras vidas. Além disso, seus pais, Carlos Alberto e Lucila Maria, foram umbandistas. O pai não era a favor do sacrifício de animais, por isso acabou seguindo outro caminho religioso, o do espiritismo. “Ele também sugeriu que eu fizesse a primeira comunhão. Queria que seus filhos conhecessem outra religião e que tivessem a liberdade de escolher. Mas eu questionava a Bíblia e não me explicavam”, recorda ao justificar porque não seguiu o percurso do Catolicismo. Quando Carlos Alberto faleceu, no entanto, a estudante foi acolhida em um terreiro, iniciando uma nova jornada em prol do desenvolvimento espiritual. Neste Dia da Mulher, apresentamos a história dela como um exemplo de que é possível utilizar a fé como guia para se tornar uma pessoa melhor a cada dia.

Na casa onde Ana Paula recebeu acolhimento animais eram sacrificados, razão que a levou um tempo depois a se afastar dos terreiros. Nesse período longe dos rituais, costumava rezar e entregar as oferendas na natureza. “Pensava ser a maneira mais correta de agradecer a uma energia que eu acredito me proteger e guiar minha caminhada aqui na terra”, argumenta. Quanto decidiu voltar a frequentar uma casa de Umbanda, percebeu que ainda eram comuns os sacrifícios. Foi então que uma amiga indicou que visitasse a Tenda Xangô da Mata no Reino de Oxóssi. Neste momento, ela conheceu a popularmente chamada “Umbanda Branca”, que é baseada em atividades que não envolvem o sacrifício de animais e, sim, utilizam elementos naturais. “Foi ali que tudo se iluminou. Era o que eu passara quase uma vida à procura: uma religião envolvida com ervas, flores, essências, incensos, pedras, envolta de todas as energias da natureza que clama por fogo, terra, água, ar; que acredita em todas as forças e que, principalmente, ensina a sermos caridosos 24 horas nos sete dias da semana!”

Para a futura educadora física, sua religião pratica “a magia do bem”, possibilitando, dia após dia, muitos aprendizados. “Na tenda, desmistificamos muitas crenças e acabei descobrindo que somos, todos, magos e bruxas quando colocamos alguma intenção, seja boa ou ruim, em tudo o que fazemos. Sabe aquela história de que a oração tem poder? Pois é, tem mesmo. E quando unimos oração, elementos ligados à terra, à natureza, nossas intenções vêm do coração, geramos energias de proteção que nos fortalecem e nos impulsionam a fazer o melhor para nós e para o próximo.” Assim como em muitas doutrinas religiosas, os umbandistas acreditam que procurar se manter livre de maus pensamentos, de culpa, rancor e ódio é fundamental para a alma.  “Nossa caminhada é longa e esses sentimentos fazem tudo ficar mais difícil e mais pesado. Afinal, nosso querido Orixalá, o filho do Criador, nos ensinou em sua caminhada na terra: ‘Amai-vos uns aos outros como eu vos amei’. Ele nos ensinou que o amor é a mais antiga e poderosa magia e deveria ser praticada por todos!”

*Esta reportagem integra a edição de março da Evidência.