Registro de ação desenvolvida no Outubro Rosa. Foto: Arquivo Pessoal

Para alguns pode até parecer clichê, mas é fato que “a união faz a força”. As voluntárias do Espaço Viver RS não têm dúvida disto. A instituição, com sede na Cohab A, atende pacientes com câncer e transplantados, porém precisa do apoio dos gravataienses para dar continuidade ao trabalho, que ocorre atualmente através de plataforma online. O atendimento presencial foi suspenso nos últimos meses por causa da pandemia de coronavírus. A presidente do projeto, Patrícia Lima Scheffer (42), explica que o grupo busca auxílio para manter as atividades e executar algumas melhorias no local, como o conserto do telhado. Diante da situação, algumas pessoas já se dispuseram a ajudar, caso da Confraria Mulheres que Inspiram, que promoveu, no dia 11 de outubro, uma Live do Bem com apresentações musicais para arrecadar fundos para a iniciativa assistencial. Mesmo assim, o suporte financeiro ainda é necessário.

Foto: Arquivo Pessoal

O Espaço Viver foi instituído em 2017 por Patrícia, que é terapeuta e estudante de Farmácia. No ano anterior, ela recebeu o diagnóstico de dois tipos de câncer, precisou passar por cirurgias e enfrentou complicações no tratamento. Contudo, nada abalou a sua fé e força. “Na vida, temos duas escolhas: enfrentar as barreiras reclamando e adoecendo ou erguendo a cabeça e lutando por nossos sonhos, agradecendo a cada amanhecer”, diz. A segunda opção foi a escolhida, claro! A própria experiência motivou a estender a mão aos que encaravam a mesma batalha. A intenção era oferecer acolhimento a outros pacientes, por meio de atendimentos de uma equipe multidisciplinar. Além da terapia coordenada pela presidente da instituição, o quadro de voluntárias é formado pela assistente social Paula de Carvalho, advogada Silvia Pereira, enfermeira Isabel Pereira dos Santos, fisioterapeuta Janice Debastiani, nutricionista Ana Karolina Menger e psicóloga Júlia Bloise.

Foto: Arquivo Pessoal

Os serviços realizados são gratuitos. O atendimento começa pela assistente social, que conhece a história da paciente e reúne as informações sobre as necessidades dela e dos familiares. A partir dos dados, são feitos os encaminhamentos para as demais áreas. “Nossa missão é auxiliar no resgate da autoestima e qualidade de vida, de acordo com cada fase em que o paciente se encontra, pensando sempre no bem-estar”, frisa a acadêmica de Farmácia. Entre as ações desenvolvidas estão oficinas de artesanato e costura. Nesse segmento, Patrícia recebe a ajuda da mãe, Elisabeth, e da prima Adriana Hoff. Há também um curso de fuxico, ministrado por Ana Vani Cardoso, no bairro Neópolis. “São produzidas bonecas, as quais presenteamos pacientes oncológicos e transplantados. Algumas são vendidas para compra dos materiais que necessitamos na produção”, salienta a idealizadora do Espaço Viver.

Pessoas em tratamento contra o câncer ou transplantados podem conhecer o trabalho do grupo e participar das atividades. O primeiro passo é contatar a assistente social pelo telefone 98453-6309. Quem puder contribuir financeiramente com a entidade ou colaborar com os serviços de outra forma, devem entrar em contato diretamente com a terapeuta, pelo 98248-3487.

Atendimento multidisciplinar

As áreas de atuação são distintas, mas o grupo de voluntárias do Espaço Viver se uniu pelo mesmo propósito: resgatar a autoestima de pessoas com câncer, auxiliá-las a compreender seus direitos e ganhar qualidade de vida e, principalmente, a encarar a doença com confiança na superação. Dessa forma, a nutricionista orienta sobre uma alimentação saudável e adequada para o fortalecimento imunológico; a psicóloga estimula o diálogo sobre autoconhecimento e enfrentamento ao câncer; a terapeuta propõe atividades para aliviar a dor; a assistente social ajuda a avaliar o contexto familiar e verificar de que forma a família pode ser acolhida. A fisioterapeuta e a enfermeira prestam atendimento voltado à recuperação, considerando que, durante o tratamento, é possível que surjam sintomas e quadros que requerem reabilitação. A advogada concede orientações sobre os direitos dos pacientes oncológicos e transplantados.

Segundo Júlia, um ambiente de acolhimento, escuta e desenvolvimento das capacidades é fundamental para quem enfrenta a doença. “O diagnóstico, a falta de informação, a incerteza do amanhã, o medo nos paralisa e, muitas vezes, nos leva a pensar o pior. Nossas relações pessoais já não são as mesmas, pois perdemos o domínio do que achávamos que tínhamos. Muitas vezes nos vemos sós, inseguros e abalados. Manter o equilíbrio nesse momento é muito difícil. Acreditar e enxergar uma solução é mais difícil ainda. Um espaço de acolhimento é exatamente o que tentamos proporcionar”, relata a psicóloga.

*Esta reportagem foi publicada na Revista Evidência de novembro.