Foto: Rafael Montenegro

É praticamente impossível alguém dizer que não gosta de música. Não dá para imaginar a vida sem as trilhas sonoras que embalam os dias felizes ou são um alento nos momentos difíceis. Essa magnífica arte sempre esteve presente na trajetória do porto-alegrense João Paulo Viana Aquino (28). Os pais, Luiz Fernando e Maribel, contam para ele que por volta dos dois ou três anos, a identificação com a música já era notável. Como toda criança, tinha muita imaginação: a tampa de uma panela de pressão, com formato semelhante a um violão, era o instrumento para suas performances em frente à TV, imitando o cantor Dante Ramon Ledesma. O pai teve a oportunidade de contar ao músico argentino essa história. O encontro com o ídolo é uma das recordações especiais de João, que toca violão desde os 13 anos.

Foto: Rafael Montenegro

O caminho como violonista iniciou pela música nativista. Na infância, morava em frente ao CTG Inhanduí, na Vila Nova, zona sul da capital. Foi na entidade tradicionalista que viu um amigo cantar – José Luiz Júnior – e ficou impressionado com aquele universo. Aos 16 anos, já tocava profissionalmente para grupos de dança, acompanhando os intérpretes vocais em rodeios artísticos e festivais, inclusive o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart). “Toquei nos principais festivais de música do Rio Grande do Sul, e em muitos deles os intérpretes que acompanhei foram os vencedores. Em 2011, competindo como violão solo, fiquei em segundo lugar no Enart. Em 2015, fui o vencedor”, celebra o músico, que sempre contou com o apoio incondicional da família. Os pais e avós, aliás, contribuíram bastante para que apreciasse desde muito jovem a música, independentemente dos estilos. “Acompanhava meu pai nas rodas de samba. Ali conheci intérpretes como Cláudio Barulho e Nego Edu, nomes reconhecidos do Carnaval de Porto Alegre, que hoje são grandes amigos. Já tocava violão nessa época. Minha mãe sempre gostou de música clássica. Minha irmã, a Carol, curte pagode, samba. Minha vó materna, Enedina, a Vó Santa, também era aficionada por música, havia trabalhado em rádio”, relata.

O violonista, torcedor do Internacional e leitor assíduo de biografias, tem vários amigos em Gravataí. Entre eles, o também músico Edu Moreira e o empresário Eduardo Wilkens, proprietário do Villa Pub Bar, onde João se apresentou algumas vezes. Atualmente, o artista trabalha com a cantora, compositora e atriz Mariana Stedelie, resgatando sambas. Segue também compondo, fazendo arranjos e transcrições. O porto-alegrense se dedica ainda a estudos de violão clássico e de sete cordas de acompanhamento, além de ministrar aulas. Recentemente, começou um duo com o contrabaixista Marcelo Caminha Filho em um projeto de música instrumental.

Antes da pandemia, um dos projetos aos quais se dedicou foi “Naquele Tempo”, que tinha intuito de divulgar o choro. “Fazíamos apresentações de rua, facilitando acesso ao público. Andamos também pelo Uruguai com o grupo. É incrível a receptividade das pessoas. Elas ficam encantadas, o que mostra que é só uma questão de ter espaços públicos que valorizem a nossa música. Está provado que público tem. Também integrei o grupo Bruma Samba, por dois anos, sempre com um repertório que valoriza a música popular brasileira, como o samba e bossa nova. Sou um apaixonado pela nossa música”, diz.

Músico profissional e ciente de que a arte é algo muito importante para a sociedade, sendo mais do que inspiração, mas resultado de muita disciplina e dedicação, João Aquino está sempre em busca de aperfeiçoamento. Na sua formação, teve referências de profissionais renomados, caso, por exemplo, de Lúcio Yanel, que foi o primeiro professor do premiado violonista e compositor Yamandu Costa. “O Lúcio é um dos pilares do violão do Rio Grande do Sul. Ele mudou o jeito de tocar violão aqui no Estado. O Lúcio acompanhando um cantor é como estar assistindo a uma orquestra. Com ele eu aprendi a tocar ritmos como chacarera, uma música do folclore popular do Noroeste da Argentina, zamba e chamamé, também de origem argentina. Com ele aprendi a tocar arranjos para violão”, lembra com gratidão.

*Reportagem publicada na Evidência deste mês.