ARTIGOS

Arte é... vidência

A literatura vai invadir todos os cantos da praça
A Praça Borges de Medeiros, também chamada de Praça da Bíblia, será o novo palco da Feira do Livro de Gravataí. A 31ª edição, inicialmente programada para outubro, nas comemorações alusivas à emancipação política do município, foi transferida e começa no dia 27 de novembro. Conforme a secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Fernanda Fraga, as atividades serão realizadas até três de dezembro. A mudança de local – antes, ocorria em frente à Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, nas duas vias da Cônego Pedro Wagner – foi decidida para não causar maiores interferências no trânsito, em virtude da montagem da estrutura.
 
A festa da literatura contará com ampla programação. Segundo Fernanda, o evento, promovido com recursos provenientes da Lei de Incentivo à Cultura, incluirá, além da tradicional exposição de livreiros, contações de histórias, lançamentos de publicações, sessões de autógrafos e apresentações artísticas. Serão 19 estandes e espaços para convivência. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura ainda não tinha a confirmação quanto ao nome do patrono. Contudo a instituição homenageada já foi definida: Casa dos Açores do Rio Grande do Sul (Caergs). No ano passado, a honraria foi concedida ao Clube Literário, que estimula a produção literária há mais de duas décadas. Vários autores gravataienses planejam lançamentos para a Feira do Livro. Alguns deles conversaram com a reportagem e anteciparam detalhes sobre as publicações.
 
A estreia de Ítalo José de Oliveira
Com muita alegria e orgulho, a família de Ítalo José de Oliveira (14) aguarda o lançamento do gibi Irobox, no dia 28 de novembro, às 15h. Aluno da sexta série no Colégio Dom Feliciano, o adolescente, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), produziu os textos e ilustrações da publicação. Segundo a mãe, Eliane Oliveira, desde pequeno ele gosta de desenhar e sempre mostrou talento na atividade. Por acreditar que investir nesta habilidade faria bem a Ítalo é que a família o colocou em aulas de desenho com o artista visual Waldemar Max. Com o tempo, professor e familiares o incentivaram a produzir o primeiro gibi, que relata muitas aventuras, tem um lado cômico e está repleto de suspense. 
 
O estudante revela que adora criar personagens, tendo preferência por heróis, dinossauros e monstros gigantes. A história gira em torno de Naven, um jovem que perdeu os pais quando era bebê, foi criado por tios que o colocaram em uma escola de super-heróis, onde conheceu alguns amigos. A intenção é produzir novas edições, relatando a infância do personagem. “Estou feliz e emocionado. Desejo que o meu gibi faça muito sucesso”, destaca Ítalo. 
 
As habilidades culinárias da Medonha
A autora da série literária Conhecendo Gravataí com Medonha, Denise Pacheco Lopes, apresenta nesta edição seu novo projeto, que tem como temática a culinária. Cozinhando com Medonha é o título da publicação, que será autografada no dia 29 de novembro, às 15h. A escritora é pedagoga, artista visual e guia de turismo, sendo que todas as áreas de atuação foram referências para seus trabalhos na literatura. Ela produziu até o momento quatro livros sobre os pontos turísticos da cidade. As histórias, bastante populares entre o público estudantil, têm como personagens principais Medonha e Fuca, que percorrem vários lugares do município ao lado de amigos. A iniciativa foi, inclusive, contemplada com o Prêmio Promotor da Paz, concedido pela Câmara de Vereadores. No novo livro, a personagem central e sua mãe, Lô, preparam receitas simples e deliciosas, como a de tapioca, por exemplo. “São pratos para as crianças cozinharem com os adultos. Receitas de memória afetiva”, comenta a artista. A Banca da Medonha será outra atração do evento.
 
Uma história real sob o olhar de Borges Netto
Ele tem 21 livros lançados e a participação em dez coletâneas. Todos os anos é presença confirmada na Feira. Nesta edição Borges Netto vai lançar, no dia três de dezembro, às 15h, Eu tinha uma boneca encantada: O amor queima e mutila, baseado na história real da dona de casa Maria Elocir Cardoso Veigas. O autor conta que ela veio de Santa Rosa para Gravataí ainda na adolescência e passou por muitas dificuldades. Conseguiu dar a volta por cima e hoje quer que o relato sobre sua vida encoraje outras pessoas a denunciar atos de violência. 
 
O escritor, que já publicou dois livros sobre histórias reais, foi convidado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer para a produção. Nos textos, procurou acrescentar um toque de doçura para que os leitores não se deparem apenas com situações dramáticas, pois a personagem foi vítima de agressões, trabalhou desde a infância e teve um filho preso. O primeiro livro de Borges Netto foi Muralhas de Cristal, lançado em 1984. No ano passado, durante o evento literário, ele apresentou as obras Poemas em si menor e Canção para Ana. Em 1997, foi patrono da Feira de Gravataí. 
 
Bons ventos para Carlos Albani da Silva
O professor e músico Carlos Adriano Albani da Silva divulgará na Feira do Livro a obra Contos pra cantar do Inventor do Vento, que reúne 70 letras de músicas, dezenas de poemas e causos modernistas em 30 capítulos. O idealizador do projeto cultural Cavalgando o Vento, que teve seu primeiro CD lançado em 2013, também realizará um sarau, no dia dois de dezembro, às 16h. Atualmente, o autor trabalha para o lançamento do segundo livro (ainda sem data prevista), que se chamará A Menina do Colar e a Girafa Elétrica. “Terá uma pegada dedicada ao público juvenil e contará com ilustrações da professora Nara de Oliveira. Foi finalizado em 2014, mas agora ganhará sua primeira edição em parceria com o selo B&M. As histórias se passam na fictícia Praia de Baunilha, ao Sul de Moçambique. São 44 causinhos poéticos sobre a amizade da Menina e da Girafa. Uma amizade, assim como a vida, entre o lírico e o absurdo", relata. 
 
Cultura açoriana é inspiração para Denize Domingos
Com mais de 20 anos de carreira, a artista visual e escritora Denize Domingos tem como uma das principais fontes de inspiração a cultura açoriana. Ela vai lançar no dia 29 de novembro, às 17h, seu sexto livro: Janelas para o mar – Vestígios Açorianos. A publicação reúne contos, produzidos a partir das impressões de viagens escritas durante visitas a 14 cidades de colonização açoriana, e montagens fotográficas. “Fiquei encantada com o patrimônio cultural luso-açoriano. Algumas construções inspiraram os contos. Sendo artista surrealista, facilmente me deixei envolver pela magia dos antigos casarões. O título refere-se à ligação dos imigrantes com o mar, a saudade das ilhas”, diz. “No livro, as histórias são narradas de forma sensível, emotiva. Esta é a função do artista, romper barreiras e preconceitos de forma criativa, tocando através da arte”, acrescenta. 
 
Segundo Denize, uma parceria com o Instituto Cultural Português e o Museu Açoriano Sul Rio-Grandense poderá resultar na realização de saraus e mostras de vídeos sobre as histórias de Janelas para o Mar. A autora já publicou Inspiração, Brisa do Vale, A lenda do Menino de Pedra, Mistérios no Rincão dos Gravatás e Outono em Verso. Nesta edição também apresentará livros confeccionados artesanalmente, com tecidos, fitas e rendas.
 
Participação do Clube Literário
O Clube Literário será, é claro, presença confirmada na Feira do Livro. Conforme o presidente da entidade, Fernando Medina, no estande, o público poderá adquirir vários títulos de escritores locais. Entre as publicações que serão lançadas pela instituição este ano estão Divino Espírito Santo - Das origens açorianas à retomada da festa em Gravataí, de Maria Inês Guilloux Leal; Cálido Outono, de Maria Izabel Moreira; e Uma Rocha na Cozinha, de Márcia Pinheiro. Os leitores também encontrarão trabalhos de autores da região, como Asas da Imaginação, de Sérgio Tadeu Braga, e Inferno de Dziecko, de Eduardo Jablonski.
 

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