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Novas amizades, superação e mais saúde a cada pedalada
Para alguns, um hobby. Para outros, uma verdadeira paixão. O ciclismo é um dos esportes que atrai cada vez mais adeptos na região. E para estimular sua prática surgiram grupos como o Mais Ciclovias e o Brutinhas do Pedal do Vale (PDV). Ambos promovem atividades semanalmente e participam de ações sociais, além de contarem com atletas em competições ou desafios ciclísticos. Para ingressar é preciso dispor de uma bicicleta, equipamentos de segurança e sinalização.
 
O Mais Ciclovias foi criado oficialmente em fevereiro do ano passado, embora em 2015 os idealizadores já tivessem se reunido para a colheita da macela e percebido a necessidade de maior atenção à mobilidade urbana. “Criamos o grupo como um clamor por mais ciclovias e espaços com segurança para a vida sob duas rodas”, frisa o comerciante Diekson Vieira Feck (38), membro da direção ao lado de Alecandro Valentim (44), João Henrique (34), Marcelo Lima (45), João Godoy (39), Ricardo Baseggio (42), Sérgio Borges (46) e Fernando Jesus (32). As principais finalidades da turma são incentivar as pedaladas com segurança e a realização de eventos, bem como a cobrança das autoridades por investimentos em sinalizações das vias públicas e ampliação de ciclovias.
 
Atualmente, cerca de 350 pessoas fazem parte do Mais Ciclovias, que desenvolve três atividades por semana. Na terça-feira ocorre o Pedal Kombate, no qual o ritmo é de treino para desafios como o Audax. Na Quarta da Bike, quando o lema é “ninguém fica para trás”, os participantes passeiam pela cidade, sendo que a concentração ocorre às 20h20min, na praça da 72. Às quintas-feiras acontecem edições do Pedal Renova. Nestas ocasiões é feita uma pedalada mais longa, com ritmo moderado. 
 
As Brutinhas completaram um ano de atividades em abril. O grupo foi fundado por Cinara Stanieski (41), Cláudia Tristão (36), Marcele Gancine Flores (40), Sidinéia Kraieski (44), Roberta Hendges (34) e Rosi Flores (35) após um evento do Pedal do Vale. O nome surgiu a partir de um apelido. “Alguns dos meninos nos chamavam de brutas porque pedalávamos de igual para igual com eles. Adaptamos para Brutinhas que ficava mais feminino”, conta Marcele. Uma das propostas das aproximadamente 50 integrantes é incentivar outras mulheres a praticarem esse esporte. Toda sexta-feira, as Brutinhas do PDV realizam pedais, a partir das 20h, com saída do Parcão de Cachoeirinha. Assim como os demais grupos de ciclismo da região, elas também organizam e participam de ações sociais. Esse mês já estão previstos dois eventos, o Pedal Rosa e o Halloween.
 
O grupo feminino conta com duas atletas participantes da Copa União, pela equipe SCS de ciclismo. Rosi e Marcele já conquistaram, inclusive, o pódio. Elas se preparam para ir novamente para o Desafio Serra do Rio do Rastro, realizado em Santa Catarina. A mais nova integrante do Brutinhas é Ketlin Manuela Jerônimo de Almeida, de oito anos, que também compete pela SCS.
 
A Família Mais Ciclovias
Os integrantes do grupo Mais Ciclovias são unânimes ao dizer que a amizade, o companheirismo e a solidariedade estão entre as suas principais qualidades. A coletividade é uma marca. Pensa-se mais em “nós” no que no “eu”, argumentam vários ciclistas. O objetivo comum é que todos atinjam seus objetivos e possam se dedicar ao esporte com segurança. Rosângela Ferreira (55) ressalta que começar a pedalar trouxe um estilo de vida mais saudável e muitos amigos. Ela afirma que, independente dos motivos e desafios de cada um, todos são acolhidos nesta família. A opinião é compartilhada por César Dosso (40). “Quando escutamos as histórias sobre pedaladas e ações do grupo, nos sentimos impulsionados a ajudar o próximo. Ao mesmo tempo, rola uma sensação de enorme empatia”, diz.
 
A força das Brutinhas
Elas são sensíveis e delicadas, mas também muito fortes e determinadas. É o que salienta a funcionária pública Bianca Foching (31) sobre as Brutinhas do PDV. Ao ingressar no grupo, ela iniciou as atividades de mountain bike. “Passei a pedalar não somente em ruas asfaltadas, mas também explorando as paisagens rurais e a natureza de nossa região. O que não fazia antes por medo de ser deixada para trás ou ser abandonada em meio ao passeio”, comenta. As crises de enxaqueca, o estresse e ansiedade reduziram, ganhando espaço momentos de descontração e alegria. 
 
A dona de casa Maria Aparecida Corrêa (34) resolveu conhecer o grupo de ciclistas por indicação de um amigo. Surpreendeu-se a encontrar uma verdadeira família, que a ajudou a superar momentos difíceis. Depois de perder a bicicleta em um assalto, foi presenteada com outra pelo pessoal. “É na dificuldade que a gente percebe que família não precisa ter o mesmo sangue, não precisa estar sempre junto. O que importa é o amor envolvido, a capacidade de se comover com uma causa que nem é sua, mas de alguma forma lhe tocou o coração”, destaca.
 

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