ARTIGOS

Solidariedade

Compartilhar sentimentos é uma necessidade
O sofrimento consequente da perda de um filho jamais poderá ser medido. Falar disso é difícil, mas, às vezes, ajuda a mãe a lidar com a situação. É o que explica a diretora executiva e fundadora da ONG Amada Helena, Tatiana Maffini (37). A instituição foi criada após o falecimento de sua primeira filha. “Em 2012, a perdi com 17 dias pela falta de acesso a um leito de UTI neonatal, após uma espera de 12 horas. O que começou com um trabalho de conscientização sobre a falta desses leitos, se transformou em uma campanha pela humanização do luto materno”, afirma. Conforme a idealizadora da ONG, inicialmente, a proposta era chamar a atenção para o problema, de forma que outras famílias não sofressem com acontecimento similar. Contudo ao apresentar a própria história, outras mulheres, que se identificaram com os sentimentos da mãe, a viram como uma confidente e passaram a procurar apoio.
 
De acordo com Tatiana, evitar o assunto é uma ação frequente, porém não eliminará a dor. Geralmente, as mães não ficam à vontade para falar da morte do filho porque falta acolhimento de familiares e amigos, no entanto, manter a memória da criança faz parte do processo de luto. A diretora da ONG Amada Helena aponta que as mulheres que enfrentam essa perda sentem a necessidade de desabafar e a instituição procura oferecer apoio neste sentido. O trabalho da organização, todavia, ao propor a discussão de um tabu, já recebeu críticas. “O misticismo em torno do assunto acaba por piorar a situação. Algumas críticas são construtivas, em outras percebe-se o amargor da pessoa. Tento separar. Quando apontam um rumo, um novo caminho, analiso com muito carinho”, salienta.
 
A maioria das mulheres entra em contato com a ONG através da fanpage, que tem mais de 29 mil seguidores. As mães também chegam ao grupo por indicação de outras pessoas envolvidas com os projetos. Uma das ações mais recentes da entidade foi a produção da Cartilha de Orientação ao Luto Materno. Exemplares já foram distribuídos no Brasil e no exterior, em países como Estados Unidos e Japão. Além disso foram disponibilizados e-books. O material, que chega a segunda edição, foi elaborado a partir da consultoria das especialistas Adriana Thomaz, Karina Polido e Franciele Sassi. Segundo Tatiana, a cartilha surgiu com o intuito de fornecer orientações e esclarecer dúvidas das mães. “É importante salientar que ela não substitui um acompanhamento psicológico exclusivo, mas ajuda a compreender que muitas reações são absolutamente normais após a perda, que o homem vive o luto de uma forma diferente da mulher, que a criança também elabora o luto a sua maneira. Demonstra ainda que é normal a revolta, falta de fé, tristeza e, porque não, alegria”, destaca. 
 
Outro projeto da Amada Helena, a exposição fotográfica Mães de Anjo, que está na terceira edição, pode ser conferida no Shopping Gravataí (Avenida Centenário, 555) até 12 de setembro. A mostra já foi uma das atrações da Usina do Gasômetro, Aeroporto Internacional Salgado Filho, Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, entre outros espaços. 
 
Outros projetos da ONG Amada Helena
A ONG Amada Helena desenvolve outros projetos, como o Reviver, no qual são promovidas reuniões mensais com acompanhamento psicológico. A atividade é realizada em Porto Alegre e possibilita a troca de experiências entre as mães. O Encontro do Dia das Mães de Anjo é um evento que conta com explanações de psicólogos e outros especialistas em luto. A terceira edição ocorreu em maio deste ano. A intenção é realizar no próximo ano um seminário a nível nacional. Há ainda o Encontro Multiprofissional, voltado à capacitação dos trabalhadores da saúde para que possam oferecer um atendimento humanizado e acolhedor após a perda. 
 

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