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Saúde

Cuidar da mente também é imprescindível
Frequentemente, somos alertados sobre a importância da prática de atividades físicas e alimentação saudável para manter ou entrar em forma. Mas, e os cuidados com a mente? Esse aspecto também exige muita atenção. Os psicólogos apontam que qualquer pessoa em busca de autoconhecimento ou que enfrenta dificuldades, pode e deve buscar auxílio. A psicoterapia vai ajudar nesse sentido. Eles indicam que fazer psicoterapia é realizar um investimento, olhar para si, aprender a se relacionar consigo mesmo e com o mundo a sua volta, além de buscar ajuda diante de dificuldades, para aliviar o sofrimento ou preveni-lo. Trata-se de uma questão de saúde mental, de qualidade de vida. 
 
São muitos os casos que levam um paciente a procurar a psicoterapia. Comumente aparecem no consultório situações como ansiedade; nervosismo; angústia; desejo de comer muito ou pouco; apatia com as questões da vida; dificuldade para dormir ou tomar decisões; medos que impedem de seguir algo; problemas de relacionamento; tristeza; depressão; raiva; estresse; timidez em excesso; descontrole emocional; dificuldades cognitivas. Em casos semelhantes, o psicoterapeuta procura iniciar uma relação de confiança com o paciente, ouvindo seus relatos e ficando atento não apenas ao que é dito, mas também ao “encoberto”. O objetivo é ajudá-lo a compreender os sentimentos. Para tanto, o processo deve respeitar o tempo do paciente. O número de sessões varia conforme o caso. 
 
Especialistas explicam que ao falar sobre si, a pessoa aprende a se escutar. O paciente passa a conhecer seu mundo inconsciente, seus comportamentos, sentimentos, pensamentos, reações. Dessa forma, evita repetir comportamentos inadequados e boicotadores. Contudo não existe fórmula pronta na psicoterapia. A função do psicólogo é facilitar o processo no qual estimula-se o paciente a pensar sobre si e encontrar novos caminhos para a jornada. Engana-se quem pensa que o psicoterapeuta apenas ouve as experiências de vida do paciente. Na psicoterapia psicodinâmica, ele intervém, acolhe, interpreta, discrimina questões, auxilia na compreensão. 
 
Durante o acompanhamento pode-se encaminhar o paciente para outros profissionais. É bastante usual, por exemplo, pedir avaliação neurológica ou psiquiátrica para verificação da necessidade de medicamentos. A alta é dada quando o indivíduo apresenta condições para lidar melhor com os seus problemas, porém aconselha-se o paciente a retornar se sentir necessidade. 
 
Aprendendo a pensar
A psicóloga e psicanalista Ione Russo destaca que para compreender o que leva um indivíduo a procurar o auxílio de um profissional desta área, é preciso considerar sua evolução. Com base nas teorias do estudioso Donald Winnicott, ela salienta que as dificuldades surgem logo nos primeiros dias de vida, visto que as ocorrências são novas e estranhas para o bebê. De acordo com Winnicott, “o papel da mãe, neste momento, é estar disponível para empaticamente aconchegar, amamentar, acarinhar, atender as necessidades deste bebê, auxiliando-o a ultrapassar este período, fazendo-o sentir-se amado, respeitado e protegido. Ao pai, cabe proporcionar à mãe e seu filho, todo tipo de suporte possível para que esta nova relação possa se desenvolver com tranquilidade, sem grandes atropelos, facilitando à criança, ao longo do tempo, um progressivo caminho da dependência para a independência”.
 
Ione alerta que o modelo de quadro familiar descrito pelo inglês seria o ideal para a evolução das crianças, porém nem sempre tal circunstância é possível. Com isso, dificuldades surgem pelo caminho. “Grande parte das pessoas viveu episódios difíceis, em maior ou menor grau ao longo da vida. Dependendo de alguns fatores genéticos, acrescidos de experiências dolorosas da infância e do decorrer da nossa existência, adquirimos uma forma peculiar de encarar a vida, seguindo em círculos e repetindo nossos comportamentos indesejados”, indica. Em casos como este, de desequilíbrio na estabilidade do sujeito, surge algum sofrimento, que pode ser aflorado por situações como perda de alguém amado, doenças, desemprego, entre outras. Sintomas como desânimo, tristeza intensa e duradoura, desalento, incômodo passam então a atrapalhar na rotina das pessoas, que encontram auxílio na psicoterapia ou psicanálise. 
 
Segundo a profissional, um psicólogo ou psicanalista poderá ajudar a pessoa a trabalhar seus obstáculos, de forma que ela tenha condições de decidir o que será feito. “Esta busca deve partir da necessidade que o indivíduo sente de resolver seus enigmas, dificuldades, do desejo de buscar as causas de suas angústias, inquietações existenciais”, ressalta.
 
Uma viagem ao nosso inconsciente 
Conforme Ione Russo, a psicanálise possibilita “uma viagem ao planeta até então desconhecido do nosso mundo inconsciente”. A psicanalista explica que tanto as experiências satisfatórias como as frustrações ficam armazenadas em nosso inconsciente. Nas sessões, esse profissional busca auxiliar o paciente a trabalhar suas dificuldades, fornecendo ferramentas para que ele pense de forma mais clara e consiga tomar decisões. “A psicanálise é um tratamento através da palavra, que visa trazer ao consciente, o inconsciente, proporcionando ao indivíduo a escolha para definir o que fazer com suas descobertas”, frisa.
 
Terapia coletiva
Além da psicoterapia individual, há o atendimento em grupo. Neste caso, encontros são realizados semanalmente, a cada quinze dias ou uma vez ao mês, dependendo da periodicidade recomendada pelo profissional, em acordo com os pacientes. Nessa modalidade, os participantes compartilham as vivências, sobretudo suas angústias e dúvidas. A proposta é que uns auxiliem os outros. O conteúdo das conversas também é mantido em sigilo e o paciente pode intercalar as sessões com a terapia individual. A psicoterapia em grupo apresenta benefícios como o desenvolvimento das habilidades sociais, da capacidade de falar e ouvir; sensação de acolhimento por saber que outras pessoas passam por situações semelhantes; e possibilidade de discutir alternativas para resolução dos problemas.
 
Psicoterapia para crianças
A psicoterapia também beneficia crianças e adolescentes, colaborando para que seja compreendido o sofrimento e obtidas mudanças, deixando-as mais livres emocionalmente. É necessário, no primeiro momento, fazer uma avaliação da criança, entender o motivo da busca do tratamento e os dados globais de seu desenvolvimento e história. Ao ser constatada a necessidade de psicoterapia, trabalha-se para construir um vínculo de confiança e inicia-se o trabalho de examinar, analisar, explorar e ajudar a resolver os sintomas e as dificuldades emocionais.
 
A abordagem com o público infantojuvenil é diferente, em virtude da dificuldade para verbalizar os sentimentos, notável muitas vezes. Através de técnicas científicas, comprovadas através de pesquisas renomadas, nacionais e internacionais, os psicólogos acessam o inconsciente das crianças utilizando a forma de expressão que elas sabem: o brincar, o faz-de-conta. Nas sessões de psicoterapia com crianças trabalham-se técnicas como jogos, desenhos e brincadeiras. Uma casa de bonecas, por exemplo, pode representar a família e fazer com que os pequenos dramatizem como se sentem, o que os incomodam, bem como possibilita que reproduzam como são tratados. É imprescindível que o profissional tenha empatia com o jovem paciente e trabalhe, simultaneamente, com os pais, para ajudá-los a pensar e entender os filhos. 
 
Buscar apoio não é sinal de fraqueza
Quanto mais cedo o indivíduo procurar ajuda, maiores as chances de resolver o problema. Esta é uma das constatações das psicólogas. Se a tristeza está interferindo na vida do sujeito, o melhor a fazer é procurar apoio. As pessoas precisam compreender que isso não é sinal de fraqueza. Às vezes, no dia a dia surgem alguns sinais de que é preciso buscar a orientação de um especialista. Confira situações que podem sinalizar a necessidade de psicoterapia:
 
*Todas as emoções do indivíduo são intensas;
*A pessoa tem dificuldade para identificar emoções ou explicar o que está sentindo;
*Dores de cabeça são frequentes, assim como surgem desconfortos musculares repentinamente;
*O sujeito recorre a alguma substância para se sentir melhor (álcool, por exemplo), come pouco ou demais;
*O rendimento no ambiente de trabalho não é mais o mesmo, a pessoa apresenta, muitas vezes, sinais de desatenção;
*Coisas que antes eram consideradas divertidas, não parecem mais ter graça, falta vontade para a execução das atividades.
 
Outras fontes: Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, Exame, Seção Minha Saúde/IG
 

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