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Uma aula de simpatia e bom humor
Qual o segredo para um professor se sair bem em sala de aula, conquistar a admiração, respeito e carinho dos estudantes? “Se dar bem com os alunos, querer e fazer o bem às pessoas e saber o que está ensinando”, afirma Carlos Antônio Borges de Abreu (72), que está aposentado há alguns anos, mas continua obtendo reconhecimento pela sua trajetória e contribuição à área educacional na cidade e região. Recentemente, ele foi um dos agraciados com o Prêmio Professora Wilma Camargo, concedido pela Câmara de Vereadores. A instituição também lhe entregou o título de Cidadão Gravataiense, em 2005, e o Rotary Club Gravataí o homenageou em duas ocasiões. 
 
O professor tem um papel fundamental na formação dos cidadãos. Deve ser um incentivador, mostrar que acredita na capacidade do aluno e espera vê-lo alcançar os objetivos. É o que explicam Carlos Antônio e a esposa, a também professora Sônia Maria Silva de Abreu (71). A dupla compartilha o pensamento de que existe vocação e a deles é ensinar. Ambos decidiram que se tornariam educadores cedo. Os trabalhos desenvolvidos ao longo da carreira trouxeram a certeza de que trilhavam o caminho certo. Com o apoio da mulher, Abreu teve uma importante atuação no município, tendo colaborado, inclusive, para a implantação da Delegacia Regional de Educação, nos anos 70. 
 
Natural de Santiago, o professor de Biologia (Ciências) veio morar na Aldeia, após o casamento, em dezembro de 1971. Sua trajetória em instituições de ensino gravataienses começou pela Escola Estadual de Ensino Médio Professora Maria Josefina Becker. Lecionou também no Colégio Cenecista Nossa Senhora dos Anjos (Gensa) e no Dom Feliciano. Abreu fundou e dirigiu o Colégio Comercial de Cachoeirinha, que funcionava junto à Escola Carlos Antônio Wilkens. Ele explica que o prédio abrigava durante o dia as aulas do ensino fundamental, oferecidas pela administração municipal. À noite eram atendidas as turmas do ensino médio, por intermédio do Estado. Na época, pouquíssimas escolas ofereciam o segundo grau. Segundo o santiaguense, com a ajuda da comunidade, a estrutura foi ampliada, beneficiando mais estudantes. 
 
Em virtude do trabalho que desenvolveu na instituição cachoeirinhense, Abreu foi convidado por Isaac Irineu Marques para criar a Delegacia Regional de Educação, atendendo os municípios de Gravataí, Cachoeirinha, Alvorada, Viamão e Glorinha. O órgão, posteriormente, passou a ser chamado de 28ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Sua função, no início do trabalho, seria coordenar em torno 70 diretores. Ele estava certo de que seria um grande desafio. “Fiquei três dias sem dormir, pensando se aceitava ou não. Acabei ficando 13 anos como delegado de Educação”, ressalta. 
 
Cenário diferente
Muitas coisas mudaram na área da Educação, na opinião de Abreu e Sônia. Eles indicam que os profissionais não parecem ter a mesma motivação, assim como o respeito dos alunos com os mestres não é mais o mesmo. Lamentam que tenham se tornado comuns os casos de violência envolvendo estudantes e professores e que grande parte das famílias não compreenda a importância da participação no processo de aprendizagem. 
 
O aposentado relata que a situação era diferente em sua época de trabalho na sala de aula e frente à Delegacia de Educação. Exemplifica que procurava mensalmente reunir os diretores e outros funcionários numa escola, para que fossem compartilhadas experiências. A ideia era que cada instituição tivesse a oportunidade de expor os projetos exitosos, bem como as necessidades para a qualificação do ensino. “Sempre dei muita autonomia para os meus comandados. E essa era a jogada. Eles tinham que se virar”, comenta. 
 
Amigo dos alunos
Bom humor é uma das marcas do professor Abreu. Ele sempre apostou no diálogo com os estudantes, procurava ganhar a confiança das crianças. Para prender a atenção da garotada, valia até mesmo contar piadas de vez em quando. Uma das lembranças é o dia em que estava dando aula para uma turma muito quieta, quando algumas vacas começaram a mugir no campo próximo à escola. “A gurizada começou a rir. Eu me virei para eles e disse ‘ainda tem gente que responde!”, diz. “Sempre brinquei com meus alunos. Antes de tudo, eram meus amigos”, completa. 
 
O educador também teve momentos emocionantes junto às turmas. Certa vez foi surpreendido com uma homenagem. Um estudante havia recebido uma medalha pela participação numa feira nacional de Ciências, realizada em Santa Cruz do Sul, e entregou o prêmio ao professor, em agradecimento. A peça é guardada por Abreu até hoje. 
 
Formação e família
Entre o ensino fundamental e médio, Carlos Antônio teve passagens pelos colégios Imaculada Conceição, Champagnat e Rosário. Sônia e ele cursaram História Natural na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs). O casal tem três filhas, Cássia Carolina (42), Mariana (36) e Priscila (33), e uma neta, Carmela (3).
 

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