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Solidariedade

Quanto maior o conhecimento, menor o preconceito
“O conhecimento é a melhor ferramenta para lidar com algo tão complexo como o autismo”. A afirmação da psicóloga Liziani Silveira (37) sintetiza o objetivo das atividades desenvolvidas pela Associação de Pais e Amigos dos Autistas Novo Horizonte, situada no bairro Marrocos (Rua Presidente Kennedy, 1088). A instituição, que completa três anos em agosto, presta atendimento psicológico para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e familiares, além de realizar oficinas e eventos para conscientização da comunidade. A programação ocorre semanalmente e também inclui encontros para discussão de estratégias voltadas à inclusão social. Atualmente, 72 usuários participam dos projetos.
 
No mês passado foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril). Contudo, disseminar informações sobre o TEA é uma meta permanente da Associação Novo Horizonte. Além de Liziani, há quatro estagiárias de Psicologia e uma equipe transdisciplinar. “São prestados atendimentos clínicos individuais ou em grupos terapêuticos. Semanalmente são realizadas supervisões, a fim de promover o conhecimento dos envolvidos sobre as práticas terapêuticas para pessoas com TEA. A equipe também desenvolve atividades como palestras, workshops e oficinas”, salienta a psicóloga. Outra ação desenvolvida é o encontro para construção de materiais adaptados para inclusão escolar. Neste caso, um grupo, coordenado pela psicopedagoga Aline Duran, capacita mães e professores para confecções de itens que poderão ser utilizados em sala de aula. “Assim, os familiares e os docentes tornam-se facilitadores do processo de aprendizagem”, argumenta Liziani. 
 
De acordo com a supervisora do departamento de Psicologia, proporcionar orientações sobre o autismo é importante para que as famílias adquiram autoconfiança e enfrentem o preconceito. “Para as pessoas que não conhecem o TEA, a tendência é de, no primeiro momento, se assustarem com alguns comportamentos incomuns e inapropriados. Acredito que a melhor forma de combater o preconceito seja uma mudança de paradigmas na educação, ou seja, a busca de um ensino que conscientize as novas gerações para a diversidade de pessoas, que estimule crianças e jovens para o respeito às diferenças sociais e para a boa convivência, o que se refletirá em toda a sociedade, inclusive no âmbito familiar e no mercado de trabalho”, afirma. 
 
Apesar de campanhas esclarecerem diversos aspectos sobre o autismo, ainda hoje é possível se deparar com atitudes preconceituosas. “Meu filho, quando entra no ônibus, bate palmas, pula muito, grita, imitando o som do motor. É comum observar, diante da situação, olhares de desaprovação que criam constrangimento para nós”, relata Eliane Sagaz, mãe de Gabriel (16), diagnosticado com o transtorno. “O jovem com TEA ainda é visto por muitos como alguém incapaz ou limitado em relação às atividades cotidianas, e não como alguém com particularidades que precisam de oportunidades, de tempo, de espaços específicos, e de maneiras diferentes de realizar as mesmas tarefas”, diz Jackson Reis (24), que faz parte da diretoria da Associação Novo Horizonte.  
 
Transtorno do Espectro Autista
De acordo com Liziani, quanto antes for diagnosticado o TEA, melhor será o desenvolvimento da criança. A psicóloga alerta que o grau de gravidade não muda, porém o tratamento adequado pode alterar algumas características. Ela também ressalta que estão equivocados os pensamentos de que os autistas são isolados do mundo, agressivos ou têm grandes habilidades. A profissional destaca que a orientação é de que exames neurológicos e genéticos sejam realizados. “Os estudos atuais sobre a causa do autismo mostram que existem alterações genéticas que afetam o cérebro na sua estrutura e função, assim como há possíveis influências ambientais, prematuridade, baixo peso ao nascimento, dentre outras condições associadas”, acrescenta. 
 
Relatos de mães sobre o atendimento psicológico
O atendimento concedido pela equipe de Psicologia da Associação Novo Horizonte, presidida por Vanessa Lúcio (32), auxilia no desenvolvimento de crianças e jovens autistas. É o que relatam algumas mães. “Desde o início dos atendimentos, as meninas estão se expressando melhor, estou conseguindo perceber que a compreensão delas aumentou. Percebo que elas estão gostando, pois ficam felizes quando digo que vamos à terapia. Ficam ansiosas pelo próximo encontro”, conta Greiziane de Souza Pereira dos Santos (35), que tem duas filhas participantes no projeto. Ana Cristina Machado (42) é mãe de Pedro (6), também beneficiado pelo serviço. “Ele tem diagnóstico de autismo há dois anos. Podemos dividir nossa vida em antes e depois da Associação Novo Horizonte. Nós estávamos perdidos e aqui achamos pessoas que passam pelos mesmos problemas, e algumas que passam por situações bem mais difíceis, o que nos fez reagir e lutar para ajudar nosso filho”, garante. Segundo Ana Cristina, o grupo tem ajudado a lidar com as dificuldades do cotidiano, fazendo com que o garoto consiga controlar as emoções e os familiares compreendam melhor o autismo. 
 

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