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Cachoeirinha no parlamento

Sua cidade natal é Nova Prata, mas cresceu em Veranópolis e, desde 1979, mora em Cachoeirinha, onde foi eleito, por duas vezes, prefeito. Hoje deputado federal no segundo mandato, JOSÉ LUIZ STÉDILE (58) faz questão de manter suas raízes neste município, onde mora com a esposa Alexandra Cichelero Stédile (41) e a filha caçula, Anna Clara (4). Pai também de Joana (31) e de Adriana Alves Stédile (29), do primeiro casamento, o parlamentar, que tem formação superior em Gestão Pública, Economia do Trabalho, é administrador, economista, metalúrgico e eletricista.

Ele nasceu em Nova Prata, mas foi na serrana Veranópolis que brincou em uma infância humilde, sem muitos recursos, mas feliz. O filho da confeiteira Lourdes Agustini Secchi (82) e do caminhoneiro Alcides Stédile (in memoriam) andava pelas ruas veranopolenses, subia nos pés de frutas para saboreá-las e brincava com os amigos. “Adorava acampar e pescar. Andava bem mais solto, com liberdade. A vida no interior era tão descontraída, que não tinha grandes sonhos ou ambições, nunca imaginei ser prefeito ou deputado”, comenta.

José Luiz não conheceu o pai, que faleceu quando Dona Lourdes estava grávida desse menino que se tornou deputado. No entanto não lhe faltou a figura paterna, pois sua mãe casou-se com o mecânico Alcides Secchi, importante referência na vida da família. “Saí de Veranópolis com 17 anos para fazer o vestibular em Porto Alegre. Paralelamente, fui trabalhar em Cachoeirinha, na então empresa Racine. Em função disso, fui morar nessa cidade, onde acabei criando raízes. Aqui me casei, tive minhas filhas e acabei virando prefeito”, conta o político. Ele conheceu Alexandra durante o curso de Gestão Pública, feito na Universidade de Caxias do Sul. Quando o assunto é família, as três filhas são quem despertam nele os melhores sorrisos. “Elas são diferentes uma da outra, isto que é bom na natureza. A gente educa da mesma forma e elas crescem completamente distintas.” Ainda assim, Stédile diz que as ensinou a honrar com as responsabilidades e a absorver todos os valores que julga importantes para seguir bem na estrada da vida. “Na educação que passamos a elas, procuramos dar-lhes oportunidades de saber tomar decisões, de escolher seus amores, de respeitar todas pessoas, independentemente da posição social ou de suas crenças. Acho que pais têm a responsabilidade de mostrar aos filhos o que deu certo ou errado, para que aprendam com a experiência. O pai tem que ser também, amigo”, opina o colorado, que ao conseguir as raras folgas, além de ficar com a família, gosta de colocar a leitura em dia e viajar de carro.

A política entrou na sua trajetória de uma forma natural, ainda na juventude. “Sempre fiquei muito indignado com injustiças. Isso é algo que me revolta. Foi para mudar a sociedade e melhorar a vida de todos que entrei nessa área. Comecei no movimento sindical, mas também partidário e comunitário. Não distingo as coisas. Em todas, é possível fazer política. Em algumas, obtêm-se mais resultado. “Questionado, José Stédile traçou sua avaliação sobre a atual crise política e econômica do Brasil. “Hoje há um profundo descrédito, não só na política, mas em todos os setores da sociedade. Todos nós acompanhamos os episódios de corrupção apurados pela Operação Lava-Jato envolvendo parlamentares e empresários. Muitas pessoas me dizem que têm vontade de sair do Brasil, mas, em outros países, também acontece, só que aqui tudo está ficando mais escancarado”, analisa.

Em sua opinião, para evitar o envolvimento de quaisquer partidos em fatos ilícitos, a Reforma Política deveria ser prioridade. “Os grandes partidos envolvidos de forma orgânica no planejamento da corrupção, incluindo suas cúpulas, deveriam ser extintos ou, no mínimo, terem cancelados os repasses de recursos públicos. Eles influenciaram o resultado de dez ou quinze eleições e vão continuar fazendo isso.” O deputado ainda crê que a boa política pode resgatar o Brasil, pois, em sua concepção, ela não é só eleição, o partido, ou o parlamento. “É um conjunto de ações que são feitas no dia a dia. A respeito da questão eleitoral, penso que só vai haver mudança depois que ocorrer uma profunda Reforma Política. Não vislumbro que isso vá acontecer, em virtude do formato como vem sendo concebido o estado brasileiro. Para mudar tudo, é necessário que os próprios deputados criem e aprovem as reformas, mas, para eles, infelizmente, é mais conveniente manter o atual sistema”, julga o político que não descarta, no futuro, um terceiro mandato como prefeito de Cachoeirinha. “Se ainda tiver saúde e energia para isso, penso sim. Nunca alimentei ambições pessoais, sempre fiz parte de um projeto coletivo, mas se tiver nomes em melhores condições, abro mão, pois cumpri minha parte. No entanto sempre vou estar à disposição. Apenas quero desempenhar meu papel como cidadão e deputado federal, sem aspirações por cargos, pois não vejo a política como profissão”, encerra.

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