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Saúde

Curta o sol, mas evite queimaduras
Estamos no verão e, com isso, o que as pessoas mais querem é curtir os momentos de lazer ao ar livre. A exposição ao sol merece, todavia, muita atenção, pois pode acarretar em enfermidades dermatológicas. Alertar sobre isso é, inclusive, o objetivo da campanha Dezembro Laranja, que embora tenha tido uma programação especial há dois meses, continua com atividades para conscientizar a população. A iniciativa é desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) sob o slogan “se exponha, mas não se queime”. A ideia é informar sobre os riscos do câncer de pele e as medidas de proteção. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que anualmente surgem 176 mil casos dessa doença.
 
“O câncer de pele é o mais frequente no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país. A Região Sul é bastante atingida”, comenta a dermatologista Vivian Bisotto, referindo-se, sobretudo, às comunidades de origem italiana e germânica, que apresentam pele clara. A médica destaca que entre os tumores malignos, a maior incidência – chega a 70% dos diagnósticos - é de carcinoma basocelular, que registra um crescimento lento, não evolui para metástases e tem uma alta taxa de cura. “Geralmente aparece em pessoas com mais de 40 anos, de pele clara, que se expuseram de forma demasiada ao sol, principalmente nos primeiros 25 anos de vida. As pessoas loiras, ruivas e de olhos claros devem ter cuidados redobrados em relação às de pele mais morena. Este tumor manifesta-se em áreas expostas, principalmente face, pescoço e peito.” A segunda maior incidência entre os tumores malignos (25%) é de carcinoma epidermóide. “Este apresenta crescimento mais rápido, pode causar metástase e ocorre em áreas fotoexpostas e mucosas.”
 
Segundo a profissional, o câncer de pele mais temido, devido a sua gravidade, é o melanoma. O crescimento é rápido e o potencial de metástases alto. Quando detectado precocemente, aumenta-se, porém, a chance de cura. “Qualquer mudança de cor, tamanho, forma dos nevos (pintas), além da coceira e sangramento deve ser percebida pelo paciente, mediante autoexames. Nesse caso, ele deve procurar o dermatologista o mais cedo possível”, afirma. Outras doenças de pele que fazem os gaúchos procurarem com maior frequência a orientação médica, principalmente no verão, são a fitofotodermatose, acne, herpes labial, pitiríase versicolor, impetigo, larva migrans, foliculite, tinea cruris ou pedis, miliária e melasma. 
 
Doenças de pele comuns no verão
Fitofotodermatose – São manchas causadas pelo contato da pele, principalmente, com limão e o sol;
Acne – No verão, aparece com maior frequência devido ao uso do protetor solar com cosmética inadequada (oleosa);
Herpes labial – São microbolhas agrupadas que causam coceira. Frequentemente surgem por causa da exposição excessiva ao sol;
Pitiríase versicolor - São manchas brancas que afetam sobretudo o dorso e ombros;
Impetigo – Enfermidade geralmente originada por infecção secundária a picadas de inseto. É muito comum em crianças alérgicas; 
Larva migrans – Doença popularmente chamada de bicho geográfico. As larvas que estão na areia, por exemplo, penetram na pele e formam microtúneis tortuosos;
Foliculite – É a inflamação dos folículos pilosos. A depilação feita com maior frequência pode causar irritação dos pelos;
Tinea cruris ou pedis – Resulta da proliferação de fungos em áreas úmidas como a virilha e os pés;
Miliária – É uma brotoeja proveniente do calor e suor em excesso. O surgimento de bolinhas d’água ou vermelhas são comuns em crianças;
Melasma – São manchas no rosto originárias, em muitos casos, pela exposição ao sol, calor e estresse. 
 
Tons, bronzeamento e sensibilidade
A Sociedade Brasileira de Dermatologia indica que existem algumas classificações quanto aos tons de pele:
Branca – Sempre queima, nunca bronzeia, é muito sensível ao sol; há também a pele branca que sempre queima, bronzeia pouco, é sensível ao sol;
Morena clara – Queima e bronzeia moderadamente, tem sensibilidade ao sol (normal);
Morena moderada – Queima pouco, sempre bronzeia e tem sensibilidade normal ao sol;
Morena escura – Raramente queima, sempre bronzeia, é pouco sensível ao sol;
Negra – Não queima e tem pouquíssima sensibilidade ao sol.
 
Tipologia
Com base em alguns aspectos, os dermatologistas também classificam quatro tipos de pele: normal, seca, oleosa e mista. A normal apresenta textura aveludada, não tem excesso de brilho ou ressecamento, os poros são pequenos e poucos visíveis. A pele seca descama e fica vermelha com mais facilidade, podendo ser causada tanto por fatores genéticos como hormonais. Com aspecto brilhante e espesso, a pele oleosa possui poros dilatados e é mais propensa ao surgimento da acne. Contudo, o tipo mais comum é a pele mista, que pode apresentar características de ressecamento e oleosidade. 
 
Cuidados essenciais durante a estação 
Quando fala-se em cuidados com a pele, em especial nesta estação, a primeira coisa que vem em mente é a utilização do protetor solar. Sim, ele é muito importante, mas não a única medida com a qual as pessoas devem estar atentas. Vivian salienta que o protetor deve ser usado diariamente e não apenas na praia, hábito bastante comum. A recomendação é de que seja aplicado 20 minutos antes da exposição ao sol e reaplicado posteriormente (a cada quatro horas na cidade e a cada duas horas na praia ou piscina). É indicado ainda a colocação de chapéus e óculos de sol com proteção ultravioleta. A dermatologista aponta que para as crianças a partir de seis meses há indicações de protetores solares, com fator 50 ou superior. Tanto para a garotada como para os adultos existem também roupas com fatores de proteção. 
 
Outra medida aconselhada pela profissional é evitar o sol entre 11h e 16h. A médica destaca, todavia, que neste período do dia, um pouco de exposição tem seus benefícios, na medida em que a luz solar é fonte de vitamina D. “Há melhora do humor e pacientes com depressão, psoríase, vitiligo, entre outras doenças, se beneficiam com uma exposição cuidadosa e controlada”, frisa. A dica dela é se expor apenas cinco minutos por dia neste horário. “Se o paciente persistir com a deficiência, indico suplementação de vitamina D via oral e uma exposição mais direta, de cinco minutos, em áreas como braço, pernas e pés, sempre evitando face e pescoço, onde os danos solares ao longo dos anos são mais intensos.” A hidratação, bem como uma alimentação leve e saudável também são recomendações para quem deseja cuidar da pele. Alimentos como abóbora, mamão, cenoura e beterraba são indicados, pois reduzem o risco de queimaduras. 
De acordo com a médica, para os indivíduos que tem sensibilidade ao sol, apresentando alergias, vermelhidão ou queimaduras mesmo com pouco tempo de exposição, existe a possibilidade de utilizar oralmente substâncias fotoprotetoras, que mesmo não substituindo cremes e loções, diminuem as chances dessas ocorrências.  A prescrição deve ser feita por um dermatologista com base no tipo de pele do paciente. 
 
Procedimentos frequentes
Nesta estação, a procura dos pacientes por alguns procedimentos estéticos é maior, conforme a dermatologista. E as mulheres ainda são maioria nos consultórios. “Entretanto, os homens estão em número cada vez maior na procura por tratamentos de pele. Tratar a pele significa saúde e bem estar. Todos merecem este cuidado, independente do sexo. Os pacientes elevam sua autoestima e isto é meu melhor retorno.” O tratamento do melasma é um dos mais frequentes, segundo a doutora. Ela explica que além de medidas preventivas, como uso do protetor e clareador, há pacientes que optam por fazer peelings, técnica que possibilita a regeneração da pele, através da esfoliação que remove as camadas superficiais. Outros procedimentos bastante procurados são a aplicação de toxina botulínica, preenchimentos de rugas, estímulo de colágeno para tratamento da flacidez com ácido polilático (Sculptra). “O microagulhamento Drug Delivery também é muito procurado, pois não limita atividades diárias e estimula o colágeno da pele, tratando fotoenvelhecimento, rugas e estrias.”
 
Recomendações para a higiene
A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que manter a pele limpa, removendo agentes infectantes, é fundamental. A limpeza do rosto deve ser feita duas vezes ao dia, uma pela manhã e outra à noite. Isso ajuda a evitar a oleosidade e acúmulo de resíduos de produtos, poeira e outros poluentes. A sujeira na pele do rosto pode implicar no aparecimento de cravos e espinhas, assim como no envelhecimento precoce. Para cada tipo de pele são indicados sabonetes específicos, sendo aconselhado, preferencialmente os líquidos. Sabonetes com ingredientes adstringentes são bons para peles oleosas e mistas, visto que colaboram para a remoção de impurezas e a desobstrução dos poros. Para peles secas e normais, a dica é utilizar sabonete líquido com pH neutro e loções de limpeza. 
 
Hidratação é fundamental
A hidratação é imprescindível para a beleza da pele, pois ajuda a evitar o ressecamento, envelhecimento precoce e até mesmo infecções. A SBD aponta que ao contrário do que muitos pensam, pessoas com pele oleosa também precisam utilizar hidratantes. Aconselha-se que sejam usados produtos adequados para cada tipo de pele. Outro aspecto importante é que a hidratação não se restringe ao uso dos cosméticos, mas inclui o consumo de água – pelo menos dois litros por dia. Há ainda alguns cuidados para manter a pele hidratada, tais como evitar excessos, seja na exposição ao sol, realização de muitas esfoliações ou banhos quentes demorados. 
 
Utilização de protetores
O fato de estarmos expostos à radiação ultravioleta faz com que tenhamos que manter cuidados. Afinal, muitas doenças de pele estão associadas à exposição ao sol. Sendo assim, os dermatologistas costumam dar algumas dicas, como evitar o sol entre 11 e 16 horas, quando a radiação é mais intensa, e recorrer ao protetor solar. O filtro solar pode prevenir queimaduras e o aparecimento de outros problemas dermatológicos. A SBD classifica como fotoprotetor ideal aquele que além de oferecer boa proteção contra os raios UVA e UVB (os primeiros são os que atingem as camadas mais profundas da pele e os raios UVB os que afetam as mais superficiais), não causam irritação e possuem certa resistência à água. A radiação UVB é a que causa vermelhidão e queimaduras; já a UVA é associada a danos ainda mais graves na pele. Quanto à aplicação do protetor solar, a recomendação é de que seja feita uniformemente, sem deixar nenhuma área desprotegida. Em caso de muito suor e exposição ao sol, reaplicar a cada duas horas. É preciso passar protetor mesmo em dias nublados. 
 
Combate e prevenção da hanseníase
No dia 28 de janeiro foi celebrado o Dia nacional de combate e prevenção da hanseníase. O chamado Janeiro Roxo alertou a população em todo o país sobre essa doença de pele infecciosa e contagiosa que acomete adultos e crianças. A enfermidade é causada pelo bacilo de hansen, que lesiona os nervos periféricos e diminui a sensibilidade da pele. De acordo com a SBD, são registrados cerca de 30 mil casos por ano no Brasil. A hanseníase tem cura, porém pode provocar incapacidades físicas se o tratamento não for feito corretamente ou o diagnóstico ocorrer tardiamente. Entre os sintomas estão o aparecimento de manchas e a diminuição da sensibilidade ao calor e toque.
 
Fontes: Dermatologista Vivian Bisotto e Sociedade Brasileira de Dermatologia
 

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